Isaura Daniel
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São Paulo – O Marrocos quer que o acordo que está negociando com o Mercosul seja de preferências tarifárias fixas. A posição foi manifestada durante a reunião que representantes dos governos das duas regiões tiveram entre segunda-feira e ontem (08) em Rabat, no país árabe. De acordo com informações dos representantes do Ministério das Relações Exteriores do Brasil no encontro, o Mercosul manifestou-se a favor de um acordo de livre comércio. O assunto deve continuar a ser discutido em uma nova reunião, nos mesmos moldes da que ocorreu em Rabat, no último trimestre deste ano, em Brasília.
Quem manifestou a vontade do país árabe de ter um acordo de preferências tarifárias foi o diretor de Relações Internacionais do Ministério de Relações Exteriores do Marrocos, Khalid Sayad, negociador chefe pelo país no encontro. Um tratado de preferências tarifárias significa que o número de produtos envolvidos no acordo é limitado, definido pelas duas partes, e as tarifas de importação sofrem apenas uma redução ou desconto. Já em um acordo de livre comércio, a maior parte dos produtos que fazem parte do histórico das relações comerciais entre dois lados é englobada e a tarifa é reduzida para zero.
Os representantes do Brasil no encontro acreditam que o Marrocos e o Mercosul chegarão a um consenso. O acordo, no entanto, não deverá ser assinado até o final deste ano, como esperava, a princípio, o Itamaraty, já que o próximo passo da agenda será o encontro no final do ano, em Brasília. O Marrocos, segundo informações do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, não tinha disponibilidade de agenda antes disso. A reunião na capital brasileira será entre o mesmo grupo de negociadores.
Além das conversas a respeito do tamanho do acordo, também houve, no encontro em Rabat, troca de informações sobre o Marrocos e o Mercosul. Cada um dos lados apresentou informações sobre áreas como política comercial, Produto Interno Bruto e estrutura tarifária. Os marroquinos ficaram interessados em saber sobre o nível de integração do Mercosul e também sobre a legislação de cada um dos países. A troca de informações deverá continuar ocorrendo, à distância, até o final de junho. Segundo o Itamaraty, existe um sentimento positivo sobre o Marrocos em relação ao Mercosul e vice-versa.
O encontro em Rabat foi o primeiro após a assinatura de um acordo-quadro entre as duas regiões, em novembro de 2004. O documento serviu para formalizar a disposição dos dois lados de iniciar um processo de negociação. O Brasil e o Marrocos já têm uma relação política e econômica crescente. O rei do Marrocos, Mohammed VI, já esteve no país. O comércio entre Brasil e Marrocos alcançou US$ 325 milhões nos três primeiros meses deste ano. O Brasil teve receita de US$ 112,1 milhões com exportações ao Marrocos, com crescimento de 29,49%, e o Marrocos faturou US$ 212,9 milhões nas vendas ao Brasil, valor 305% superior ao mesmo período de 2007.

