São Paulo – O Marrocos quer entrar no radar dos investidores brasileiros, atraindo capital para projetos industriais, como os relacionados aos setores elétrico, automotivo e aeroespacial. Com este objetivo, uma missão da Agência Marroquina de Promoção dos Investimentos (AMDI) participou nesta quinta-feira (04) do evento Encontro de Negócios: Marrocos – um parceiro estratégico para o Brasil, realizado na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo.
“O Brasil é um país muito importante no qual nós ainda não fizemos muito. No passado, nos concentramos em países como Espanha e França. Agora, com países como o Brasil se tornando super potências, temos que diversificar nossas fontes de investimento”, declarou Adil Chikhi, diretor de Desenvolvimento de Marketing Estratégico da AMDI.
Para uma plateia de empresários, Chikhi apresentou as vantagens e oportunidades para os investidores interessados em entrar no Marrocos, como os fundos de subsídios de investimentos disponibilizados pelo governo. “Há um fundo que subsidia qualquer investimento acima de 18 milhões de euros ou que crie mais de 250 empregos, que pode ser em qualquer setor. Nisso, o governo subsidia 5% dos investimentos, pode ser para o terreno, compra do equipamento ou para trazer maquinários sem taxas”, explica.
“Há outros fundos que subsidiam investimentos em poucos setores, como aeroespacial, automotivo e eletrônico. O subsídio é de 15% e pode chegar a até 2,7 milhões de euros. Você tem também um terceiro fundo, que subsidia investimentos em energia, como energia renovável, que é de até 20% do investimento”, conta o executivo.
Chikhi destacou ainda a localização estratégica do Marrocos, no Norte da África e a 14 quilômetros da Europa, como um dos principais atrativos para os investidores que atuem no país. “Temos acordo de livre comércio com a maioria dos países vizinhos. Você pode vender para os europeus, africanos e aos países árabes livre de impostos de exportação e importação”, disse.
Um dos setores com oportunidades de investimentos no Marrocos é o de energia elétrica. O país, que não produz petróleo, importa 14% de sua energia da Espanha e tem projetos para investir na geração de energia renovável.
“Temos um programa solar para a construção de dois mil megawatts de usinas de energia, usando energia solar para gerar eletricidade em cinco localidades”, revelou Ahmed Squalli, vice-presidente da Federação Nacional da Indústria Elétrica e Eletrônica e presidente da Associação Marroquina da Indústria de Energia Solar e Eólica.
“Há ainda o programa de energia eólica, também para geração de dois mil megawatts em várias localidades no Norte e no Sul do Marrocos. Ambos os programas serão realizados sob investimentos privados. O objetivo é ter essa capacidade até 2020”, afirmou o executivo. Os valores dos projetos são de US$ 7 bilhões cada.
Para Rubens Hannun, vice-presidente de Comércio Exterior da Câmara Árabe, o interesse marroquino em atrair investidores brasileiros representa um passo além da relação comercial já existente entre os países. “Isso demonstra maturidade na relação”, afirmou. Ao final do evento, Michel Alaby, diretor-geral da entidade, apresentou os serviços da instituição e falou da disponibilidade da Câmara em intermediar os contatos entre brasileiros e marroquinos.
Também participaram do evento, Abdeslam Maleh, primeiro conselheiro da Embaixada do Marrocos em Brasília, Malak Sbiti, responsável pelo Departamento de Investimentos dos Brics na AMDI, Elias Haddad, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Antônio Bessa, diretor da Fiesp.


