São Paulo – O Marrocos, país árabe do Norte da África, está levando adiante uma série de ações na tentativa de se tornar líder mundial em energias renováveis. O tema foi alvo de uma matéria publicada pelo jornal francês La Tribune, segundo informações da Maghreb Arabe Presse (MAP), agência de notícias marroquina.
Desde que o país árabe assinou, em 1995, a convenção executiva das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas e o Protocolo de Kyoto, em 2000, o governo do Marrocos tem adotado medidas em prol do meio ambiente. Há cerca de um ano, no entanto, destaca o jornal francês, o processo foi acelerado.
O projeto ambiental do Marrocos leva em conta um horizonte de dez anos e tem abrangência em vários segmentos, tais como conservação de água e recuperação de resíduos. No caso dos resíduos, o objetivo é que 90% do lixo produzido no país seja reciclado em dez anos. Hoje o percentual é de 70%.
O jornal francês afirma que o país tem ambições ainda maiores para a produção de energias renováveis, mas lembra que atualmente 97% da energia marroquina depende de importações, principalmente de petróleo.
“Com a elevação da qualidade de vida e desenvolvimento econômico, as necessidades energéticas vão triplicar até 2030. Há urgência em aumentar a capacidade energética do país”, afirmou para o La Tribune o presidente da Agência Marroquina para Energia Solar (Masen), Mustapha Bakkoury.
De acordo com ele, as energias renováveis como a solar, elétrica e eólica deverão representar 42% da capacidade energética do país em 2020. A produção deverá ser de dois mil megawatts em cada uma das áreas.
O país está construindo suas primeiras hidrelétricas e vem desenvolvendo também projetos na área eólica, onde tem 300 megawatts de capacidade instalada e 700 megawatts em instalação. Em novembro de 2009, o Marrocos anunciou também um grande projeto de energia solar.
“O Marrocos tem um papel central em matéria de energia na região e poderá ser um centro de conexão energética no limite entre a Europa e a África”, afirmou a ministra de Energia, Minas, Água e Meio Ambiente, Amina Benkhadra.
Brasil
A estratégia marroquina envolve também o Brasil. Os dois governos negociam um acordo na área energética. Os marroquinos têm interesse na produção de etanol combustível, utilizado em larga escala nos veículos brasileiros.
O tema foi tratado pela primeira vez em uma viagem que o chanceler brasileiro, Celso Amorim, fez ao país africano em 2008. Conforme a ANBA noticiou na época, o tema foi discutido com a ministra Amina.
Na outra mão, o Brasil tem interesse na produção marroquina de fertilizantes, já que importa grande quantidade desses insumos para uso na agricultura.

