Alexandre Rocha
São Paulo – O secretário de Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo, João Carlos Meirelles, defendeu ontem à tarde (15) a formação de joint-ventures entre companhias brasileiras e árabes como forma de consolidar as relações comerciais. Meirelles recebeu, no Palácio dos Campos Elíseos, representantes da missão comercial de cinco países árabes que está na capital paulista para negociar com empresas brasileiras.
"Não queremos apenas vender, queremos firmar joint-ventures. Talvez até terminar a fabricação de produtos na região (árabe) e não exportar as mercadorias acabadas", disse o secretário aos sete empresários árabes presentes, que estavam acompanhados do presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), Antonio Sarkis Jr., e do secretário-geral da entidade, Michel Alaby.
"Fazer parcerias e associações entre empresas é a nova tendência do comércio internacional, ao contrário do velho comércio que consiste em apenas vender", acrescentou. Como exemplo, ele citou o café, que pode ser exportado para posteriormente ser misturado com outras variedades e embalado de acordo com o gosto do consumidor árabe. Mas isso, de acordo com ele, poderia ocorrer também com diversos setores, como de calçados, móveis e de produtos agropecuários em geral.
Entusiasmado com o resultado da reunião, Sarkis disse que firmar parcerias é um dos principais objetivos dos empresários da Jordânia, Iêmen, Iraque, Líbano e Palestina que estão em São Paulo. "Eles querem joint-ventures e desenvolver a fidelidade de mercados", afirmou.
O chefe da delegação, Thabet A. Taher, disse que estabelecer esse tipo de relação é tão ou mais importante quanto o comércio em si. De acordo com ele, com a globalização é possível trocar de uma hora para outra de fornecedor internacional, mas com investimentos conjuntos cria-se um compromisso em torno da promoção e venda dos produtos.
"E nós já temos muita experiência na formação de joint-ventures com companhias de outros países", disse Taher referindo-se à Jordânia, país do qual já foi ministro das Minas e Energia. Ele também é vice-presidente da Associação de Empresários Jordanianos e secretário-geral da Federação de Empresários Árabes. "Na Jordânia, as empresas brasileiras não terão dificuldades em desenvolver joint-ventures em bases sólidas", acrescentou.
Plataformas
Segundo Meirelles, da mesma maneira que seria importante para as empresas brasileiras estabelecer em algum país árabe uma plataforma de reexportação para outras nações do Oriente Médio, África e Ásia, as companhias árabes podem fincar no Brasil, notadamente em São Paulo, bases de distribuição para outros países da América do Sul.
O secretário fez um relato da infra-estrutura do estado. De acordo com ele, São Paulo conta com o porto mais importante do Hemisfério Sul, o Porto de Santos, que no ano passado movimentou 70 milhões de toneladas de carga e deverá chegar ao patamar de 200 milhões de toneladas em menos de 10 anos. Ele acrescentou que o estado conta com quatro aeroportos internacionais habilitados para o transporte de cargas e terá mais quatro em "dois ou três anos". Meirelles disse ainda que no estado existem 23 retroportos, ou portos secos, nos quais produtos semimanufaturados podem ser transformados em mercadorias acabadas sem o pagamento de impostos.
Meirelles e Taher concordaram em trocar informações sobre os setores que podem ser alvo de eventuais parcerias e sobre as regras locais para a formação de joint-ventures e recebimento de investimentos externos. Para Taher, a troca de missões comerciais é o melhor instrumento para fomentar esse tipo de cooperação. Ele convidou Meirelles para visitar a Jordânia. Eles também conversaram sobre a possibilidade de intercâmbio entre universidades e institutos tecnológicos.
Embora as rodadas de negócios com companhias brasileiras tenham terminado ontem, a delegação árabe permanece em São Paulo hoje para visitar a sede da CCAB e algumas empresas.

