Alexandre Rocha, enviado especial
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Riad – O mercado comum do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), que entrou em vigor no primeiro dia de janeiro deste ano, tem gerado um clima de otimismo entre os atores econômicos do bloco, que inclui Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã. A informação foi dada ontem (27) à ANBA pelo secretário-geral adjunto para Assuntos Econômicos do GCC, Mohamed Al-Mazrooei, após encontro em Riad com representantes da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e do Ministério da Agricultura.
Com o mercado comum, o bloco, que já tinha união aduaneira e área de livre comércio, passou a ter livre trânsito de bens, serviços, capitais e pessoas. Por exemplo, cidadãos da região agora devem ter o mesmo tratamento em cada um dos países no que diz respeito ao trabalho, abertura de empresas, investimentos, propriedade de imóveis e aquisição de ações.
“O mercado comum começou há pouco, há dois meses, mas está causando grande impressão, de que terá impacto na economia, no comércio e no trânsito de pessoas”, disse Al-Mazrooei. De acordo com ele, o comércio entre os países da região aumentou muito nos últimos 10 anos, desde que entrou em vigor a união aduaneira, e agora há a expectativa de que o fluxo poderá dobrar.
“As pessoas estão contentes, realmente esperam se beneficiar do mercado comum”, disse. Segundo ele, o secretariado-geral do GCC distribuiu aos empresários da região um questionário perguntando o que cada um pensa dos avanços ocorridos até agora e foi criado um comitê, com um representante de cada país, para acompanhar as respostas e municiar a administração do bloco com informações.
“Além disso, (o mercado comum) vai fortalecer nossa posição negociadora com outros blocos, afinal juntos nós temos 45% das reservas mundiais de petróleo e 20% das de gás”, afirmou Al-Mazrooei.
Um dos blocos com que o GCC negocia atualmente é o Mercosul. O próprio Al-Mazrooei esteve no Rio de Janeiro, no início do ano passado, para participar da Cúpula do Mercosul, quando assinou uma declaração sobre o andamento das tratativas.
Atualmente Al-Mazrooei não está à frente das negociações, mas disse à delegação brasileira que o GCC tem todo o interesse em firmar o acordo e “está pondo todos os esforços nisso”. “Não há impedimentos para o fortalecimento da nossa cooperação, afinal o ambiente político entre as duas partes é muito bom”, declarou.
Participaram da reunião o diretor do Departamento de Agricultura do secretariado-geral do GCC, Hilal Saud Ambusaidi, o embaixador do Brasil em Riad, Isnard Penha Brasil Júnior, o vice-presidente de Marketing da Câmara Árabe, Rubens Hannun, o secretário-geral da entidade, Michel Alaby, o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio do Ministério da Agricultura, Célio Porto, o diretor do Departamento de Promoção Comercial do ministério, Eduardo Sampaio Marques, e o coordenador de desenvolvimento de mercados da Câmara, Rodrigo Solano.

