Alexandre Rocha
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São Paulo – O seminário de promoção do mercado brasileiro de capitais, realizado na semana passada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, foi considerado um sucesso. Os integrantes da iniciativa BEST (Brazil: Excellence in Securities Transactions) que estiveram no emirado voltaram ao Brasil confiantes de que os investidores ficaram interessados no Brasil.
“Tivemos uma impressão muito boa. Para um primeiro evento, nos encontramos com um número de representantes de qualidade de bancos, agências de fomento e outras instituições financeiras”, disse à ANBA a analista de Relações Internacionais da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Lucy Pamboukdjian, que esteve em Dubai.
A BEST é uma iniciativa conjunta da Bovespa, Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e Associação Nacional de Bancos de Investimentos (Anbid), com o apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Banco Central e Secretaria do Tesouro Nacional, que tem como objetivo promover o mercado brasileiro de capitais no exterior.
“Todo mundo nos pareceu muito interessado no Brasil”, afirmou Lucy. De acordo com ela, os investidores perguntaram sobre como investir no Brasil, a economia, o sistema de Câmbio, a fusão da Bovespa com a BM&F, a dívida pública, o funcionamento do mercado, as oportunidades de investimentos existentes, entre outros temas. “Eles sabem que o Brasil pode representar uma oportunidade, mas não sabem como funciona o mercado, a economia, o câmbio, etc.”, acrescentou.
Uma das questões levantadas durante os encontros foi sobre a utilização no Brasil do sistema financeiro islâmico, estruturado de acordo com a Sharia. Os participantes foram informados que a CVM vai promover um seminário sobre o assunto em junho com a participação de especialistas de países como Malásia, Emirados e Egito. “Eles chegaram até a sugerir alguns nomes para o evento”, declarou Lucy.
Embora o sistema financeiro islâmico seja um tema novo no mercado brasileiro, há quem tenha know-how na área no país. O Banco ABC Brasil, por exemplo, que tem capital majoritariamente árabe, já faz algum tempo oferece contratos estruturados de acordo com a tradição religiosa muçulmana. A instituição abriu seu capital no ano passado e tem ações negociadas na Bovespa.
Segundo Lucy, foram feitas diversas perguntas aos representantes de órgãos do governo, sobre, por exemplo, como a dívida pública lastreada em dólar foi praticamente eliminada, títulos públicos, crescimento da economia, política monetária e inflação.
Os participantes, de acordo com ela, ficaram impressionados ao saber da grande opção de investimentos existentes no país, como papéis públicos, ações, commodities, fundos de renda fixa e de renda variável. No caso das commodities, por exemplo, houve satisfação em saber que na BM&F são realizados contratos de ouro, negócio que atrai muito o interesse de investidores árabes.
Os participantes foram informados ainda da extensa lista de setores que têm empresas listadas na Bovespa. Um deles é o desenvolvimento imobiliário, que também chama muito a atenção dos investidores da região.
A fusão entre a Bovespa e a BM&F, que está em andamento e vai resultar na criação da terceira maior instituição do gênero no mundo, foi outro tema importante. “Eles ficaram impressionados, pois muitos não sabiam do tamanho do mercado brasileiro. Nosso setor de fundos, por exemplo, é gigante”, disse Lucy.
Ela explicou também que os critérios de governança corporativa aplicados à maioria das empresas listadas na Bovespa estão entre os mais rígidos do mundo. “Eles querem conhecer mais, ver nosso histórico para se sentirem mais seguros”, declarou.
Além do seminário, durante os dois dias em que ficaram em Dubai os integrantes do BEST tiveram encontros paralelos com investidores organizados por bancos brasileiros e estrangeiros que já têm atuação na região. “É importante ter esse canal de apresentação, parceiros que tenham comunicação com os dois mercados”, afirmou Lucy. Entre 50 e 60 pessoas compareceram aos eventos.
Agora as instituições do BEST pretendem avançar na iniciativa, fornecendo mais informações e selecionando os tipos de investimentos mais atraentes para os árabes. “Não sei se teremos novos investidores já no mês que vem, mas queremos dar continuidade a esse trabalho”, concluiu Lucy.

