São Paulo – As commodities agrícolas, entre elas o açúcar, devem ter seus preços de volta aos patamares anteriores a setembro, sem grandes reflexos para as exportações brasileiras. A opinião é do diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, especialista em mercado de açúcar. O produto é um dos principais na pauta de exportação do Brasil para o mundo árabe e sofreu uma das maiores quedas de cotação entre as commodities no último mês, movimento que foi fortemente influenciado pelas incertezas da economia da Zona do Euro.
"Foi só um momento de preocupação acentuada", diz Corrêa, citando problemas enfrentados pelas economias grega e espanhola, que deixou o mercado em alerta. A preocupação com o futuro da Europa acabou fazendo investidores saírem de ativos baseados em commodities agrícolas – e commodities em geral – e colocarem seu dinheiro em outras aplicações consideradas mais seguranças no atual cenário mundial, como dólar e ouro. O açúcar, já na última semana, começou a se recuperar na Bolsa de Nova York, com investidores aproveitando os preços baixos após a forte queda de setembro, de mais de 10%.
O analista de commodities da Cerealpar, Steve Cachia, afirma que o futuro do preço das commodities em geral ainda é incerto e depende principalmente de algumas decisões que devem ser tomadas na Zona do Euro no começo de outubro e que devem ter influência nos rumos da economia da região.
"Se houver uma solução salvadora, o bom humor vai levantar novamente os preços das commodities", afirma Cachia. O analista afirma que ainda há algum espaço para o preço ceder, mas lembra que a favor da recuperação dos preços de produtos agrícolas está a forte demanda internacional, principalmente da Ásia. "Você adia compra de carro, casa nova, mas todos têm que comer", diz Cachia.
Corrêa entende que a queda de preços das commodities em geral não avançará muito mais e nem trará grandes reflexos para as exportações do Brasil. No mercado brasileiro, aliás, os efeitos da baixa das commodities foram amenizados pela valorização do dólar. O diretor da Archer Consulting acredita que o açúcar foi um dos produtos mais afetados porque o seu preço tinha bastante "gordura", ou seja, estava bastante elevado.

