Isaura Daniel
São Paulo – Estados brasileiros que não são tradicionais exportadores começam a ver no comércio internacional uma forma de crescimento econômico. Impulsionados por um programa do governo federal chamado Estado Exportador, Acre, Amapá, Distrito Federal, Piauí, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins se empenharam em aumentar sua participação na balança comercial brasileira no ano passado.
Rondônia e Tocantins ultrapassaram a meta de US$ 100 milhões estipulada pelo Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para as unidades da federação que tinham receita inferior a este valor com o comércio internacional. O Tocantins passou de um faturamento de US$ 45,5 milhões com exportações em 2003 para US$ 116 milhões em 2004, com aumento de 157%, e Rondônia de US$ 97 milhões para US$ 133 milhões, com 37% de crescimento.
Os demais estados aumentaram suas exportações, mas ainda não chegaram à meta. "O objetivo é que eles ultrapassem o mais rápido possível a barreira dos US$ 100 milhões e que tenham um crescimento mínimo de 20% ao ano", diz o secretário de comércio exterior do Ministério, Ivan Ramalho. No entanto, todos excederam o percentual em 2004 e seis deles tiveram aumento acima da média nacional, de 34%.
O Distrito Federal faturou US$ 28 milhões com exportações em 2004, o Amapá US$ 46,8 milhões, o Acre US$ 7,6 milhões, Sergipe US$ 47,6 milhões, Roraima US$ 5,2 milhões e o Piauí US$ 73 milhões. Juntas, as oito unidades exportaram US$ 459,6 milhões em 2004, contra US$ 284,3 milhões em 2003.
O objetivo do governo é diversificar a origem das exportações brasileiras, hoje bastante concentradas nas regiões Sul e Sudeste. Sozinho o estado de São Paulo respondeu por 32% das exportações brasileiras em 2004. Além do Distrito Federal, que fica no Centro-Oeste, as demais unidades da federação envolvidas no projeto estão no Norte e Nordeste do Brasil. A meta de crescimento das exportações estipulada pelo Ministério do Desenvolvimento para o país em 2005 é de 12%. "Se estes estados crescerem acima disso, essa diferença vai diminuir", diz Carvalho.
Mais produtos na pauta
De acordo com Carvalho, a participação mais ativa das oito unidades da federação, que fazem parte do programa, no comércio internacional em 2004 ajudou a introduzir novos produtos na pauta brasileira de exportações. Grande parte das vendas destes estados, porém, é formada por produtos primários. No topo da lista de produtos vendidos pelo Tocantins, por exemplo, figuram a soja e as carnes. Em Rondônia, os principais itens são madeira, carne e minério. O Tocantins, porém, também tem o suco de abacaxi entre os primeiros produtos da lista e Rondônia também está fazendo um esforço para vender mais produtos acabados.
"Estamos começando um processo forte de industrialização, principalmente de alimentos", diz o secretário de Agricultura, Produção, Desenvolvimento Econômico e Social de Rondônia, Luiz Cláudio Pereira Alves. Neste ano serão abertas duas indústrias de leite condensado no estado.
Já existem 72 empresas da área de laticínios, de acordo com Alves, 11 indústrias frigoríficas e cinco curtumes com produção de wet-blue, o couro no estágio inicial. Um dos curtumes vai passar a produzir couro semi-acabado em 2005. O estado também é tradicional em madeira, produção de grãos, como milho, soja, arroz e feijão, leite, café e minérios. O Produto Interno Bruto (PIB) de Rondônia cresceu 9,2% em 2004, acima do nacional, que aumentou 5,3%.
Do Norte para os árabes
Os países árabes colaboraram para que os estados brasileiros com menor tradição no comércio internacional aumentassem suas vendas externas. O Egito foi o sétimo maior destino das exportações de Rondônia, a Arábia Saudita foi o 16º, o Marrocos o 23º e o Kuwait 28º. Juntos, os quatro responderam por 7,34% do faturamento do estado com o comércio internacional. As vendas para o Egito saíram de US$ 534 mil para US$ 6,7 milhões.
O Tocantins teve como quinto maior destino das exportações a Argélia e como nono a Arábia Saudita. Logo após seguem na lista de principais clientes internacionais do estado os Emirados, Egito, Líbia, Kuwait, Jordânia e Líbano. Os oito países árabes responderam por 6,1% das exportações do Tocantins.
Nova meta
Para este ano o governo inclui mais dois estados, Alagoas e Paraíba, no programa Estado Exportador. Os dois, porém, tem como meta ultrapassar os US$ 500 milhões em receita com exportações, pois já exportam acima de US$ 100 milhões. Alagoas teve faturamento de US$ 457 milhões com vendas externas no ano passado e a Paraíba de US$ 213 milhões. Os estados que já estavam no programa e ultrapassaram a primeira meta também terão agora, como objetivo, chegar aos US$ 500 milhões.

