Da redação*
Brasília – O crescimento de 6% da produção industrial brasileira em 2007 sobre o ano anterior foi impulsionado, principalmente, pela demanda interna de bens de consumo, especialmente duráveis, como automóveis e eletrodomésticos. A avaliação é do coordenador de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Sílvio Salles. Os dados fazem parte da pesquisa do instituto divulgada nesta sexta-feira (8).
De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), porém, divulgado na última quinta-feira (7) o crescimento das vendas da indústria brasileira alcançou 5,1% no ano passado em relação a 2006. Lideranças da entidade também atribuem o desempenho às vendas domésticas. "O que sustentou o crescimento em 2007 foi o mercado interno. E é esse mesmo fator que deverá continuar puxando a indústria neste ano", afirmou Paulo Mol, economista da CNI.
O resultado apurado pelo IBGE é o melhor desde 2004, quando a taxa ficou em 8,3%. "As condições do mercado de trabalho estão favoráveis a um consumo maior de bens por parte da população. Houve um aumento da ocupação e da renda e uma sustentação da oferta de crédito, cujo reflexo pode ser sentido na extensão dos prazos de pagamentos e na redução das taxas de juros, o que vem sustentando o consumo. E o melhor é que, até o momento, não há sinais de aumento do indicador de inadimplência, que está estabilizado", avaliou.
Em 2007, o IBGE constatou aumento da produção em 21 atividades, em 65 dos 66 subsetores e em 66% dos produtos pesquisados. Uma das maiores taxas ficou com bens de capital, que inclui máquinas e equipamentos para a indústria. O segmento registrou crescimento de 19,5%. Bens de consumo ficou com 4,7%, sendo que os duráveis registraram aumento de 9,2% e os semiduráveis e não duráveis, 3,4%, e bens intermediários, 4,9%.
Entre as atividades, os desempenhos de maior impacto sobre a média global da indústria foram de veículos automotores, com alta de 15,2%. "A indústria automobilística mostrou uma queda nas exportações em 2007 e acabou liderando o desempenho entre os ramos industriais totalmente apoiada no aumento do consumo interno", disse Sílvio Sales.
A previsão da CNI é de que a indústria contine crescendo em 2008 e o percentual de alta fique em 5% sobre 2007. Paulo Mol afirma que a crise nos Estados Unidos certamente afetará o Brasil, assim como a todos os países no mundo, em especial os emergentes, mas ainda é muito difícil prever com qual intensidade isso vai acontecer. O economista Renato da Fonseca concordou com Paulo Mol. "A crise deve ter um impacto negativo no crescimento, mas não tão grande. Temos de esperar para saber o tamanho do problema".
Enquanto o crédito estiver acessível ao consumidor brasileiro, disseram eles, a indústria continuará a vender. "Os setores que mais influenciaram no crescimento em 2007 são os que respondem ao crédito, como os de veículos automotores, móveis, vestuário. Se as parcelas continuarem a caber no bolso do brasileiro, o consumo continuará a crescer", disse Mol.
*Com informações da Agência Brasil e Agência CNI

