Cláudia Marques, especial para a ANBA
São Paulo – Uma Babel de aromas, sabores e sotaques. Assim é o Mercado Municipal Paulistano, o tradicional Mercadão, projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo e inaugurado em 1933, no centro da cidade. São cerca de 12 mil metros quadrados com 281 boxes.
O movimento financeiro diário é estimado em R$ 1 milhão. São mais de 600 mil visitantes por mês e três mil funcionários prontos para servi-los. No atacado, diariamente, são comercializadas 300 toneladas de alimentos adquiridos por feirantes, donos de quitandas e compradores de restaurantes renomados de todo o país.
Os números fazem do entreposto central "um gigante", como anunciou uma propaganda veiculada na TV logo após a conclusão da reforma que, no ano passado, restaurou o prédio e abriu espaço para novos concessionários no mezanino (ver link abaixo). Foi a primeira em 72 anos.
O libanês Raful Doueihi, dono do restaurante Raful, está entre os novatos do Mercadão. Desde novembro, ele oferece aos visitantes comida árabe de qualidade. São esfihas, quibes, kaftas e sobremesas tradicionais adaptadas ao paladar brasileiro. "É comida para cativar o freguês, para fazê-lo voltar", afirma.
Doueihi veio para o Brasil há 45 anos. Seguiu os passos do irmão mais velho, que tinha descoberto o país anos antes e trabalhava num restaurante próximo a rua 25 de Março, hoje, comandado por Doueihi, a mulher e uma filha. Com o comércio, ele passou a freqüentar os boxes de alimentos do Mercadão, onde é velho conhecido dos fornecedores. Ele faz parte do batalhão de compradores que, nas madrugadas – das 22h às 6h da manhã, todos os dias -, vai ao mercado abastecer as cozinhas de seus restaurantes com alimentos frescos.
De tudo
O Mercadão prima pela grandiosidade de ofertas e seduz os compradores que, hipnotizados, tudo querem tocar, cheirar e, claro, provar, antes de levar para casa. De carne de javali, faisão, capivara e ema a jacaré e foie gras. Há lagostas gigantes, ostras e tinta de lula; queijos especiais, folhas de uva, tahine e ervas finas; especiarias do Oriente, temperos e frutas do mundo inteiro. Percorrer as ruas do entreposto central é, realmente, uma aventura ao templo dos sentidos.
Se endereços como o de Doueihi atraem os consumidores pelos sabores e cheiros das comidas, os boxes de alimentos chamam a atenção dos clientes pela diversidade de seus produtos, que exibem cores e formas diversas. A banca de Aldemir Abdala, o Ramon, enche os olhos de quem passa. São azeitonas de todos os tamanhos e cores, tomates secos, azeites de várias nacionalidades, 140 tipos de cereais e, claro, bacalhau. De todos os tipos. As vendas da banca, com certeza, ajudam o mercado municipal a bater mais um recorde: o Mercadão é um dos maiores pontos de venda de bacalhau por metro quadrado do mundo.
Abdala é de origem síria, herdou o negócio de um tio, há três anos. "Eu era o único sobrinho e decidi apostar na banca que era da família desde 1933", conta ele, que também tem uma confecção de moda praia.
O investimento foi sério. O empresário mudou todo o design da banca, contratou novos funcionários – a equipe tem hoje 49 pessoas – e implantou um sistema de entrega em domicílio, que, aliás, vai bem longe. Os produtos de Abdala viajam o Brasil inteiro. Os compradores são, geralmente, donos de restaurantes. Os pedidos são feitos por telefone e a entrega fica por conta das companhias aéreas. São as ferramentas do empreendimento moderno em parceria com o comércio tradicional.
Serviço
Horário de funcionamento do mercado
Atacado
Segunda à sábado: das 22h às 6h
Varejo
Segunda à sábado: das 6h às 18h
Domingo: das 6h às 16h
Feriados: das 6h às 16h

