Isaura Daniel
São Paulo – O Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), bloco econômico formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, poderão dar início, durante a cúpula dos países árabes e sul-americanos, às discussões em torno de um acordo de livre comércio. Em encontro ontem em Riad, o secretário-geral do GCC, Abdul Rahman Bin Hamad Al-Attiyah, e o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, se comprometeram a trabalhar para que o acordo-quadro, documento que dá início formal às negociações, seja assinado na reunião de chefes de estado, nos dias 10 e 11 de maio.
O ministro Amorim telefonou ontem mesmo ao Ministério das Relações Exteriores do Paraguai, país que exerce a presidência do Mercosul no momento, para pedir que o processo seja acelerado. O Mercosul já assinou acordos prévios semelhantes com o Egito e com o Marrocos. O GCC já havia manifestado, no ano passado, quando a presidência do bloco estava nas mãos da Argentina, o interesse em firmar um acordo comercial com os países do Mercosul. No encontro de ontem, Al-Attiyah convidou Amorim para participar da próxima reunião ministerial do Conselho.
Além de conversar com o secretário-geral do GCC, o chanceler brasileiro também foi recebido pelo príncipe-herdeiro da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdulaziz Al Saud. O príncipe recebeu, por meio de Amorim, uma mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o convidando para a reunião de cúpula e falou que fará o possível para estar presente. De acordo com informações do Itamaraty, além da cúpula, eles falaram também sobre o processo de paz no Oriente Médio e a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU).
Apoio da Síria
Os mesmos assuntos foram temas das conversas que Celso Amorim teve durante o final de semana, em Damasco, na Síria, com o presidente Bachar Al-Assad. O chefe de estado da Síria manifestou, durante o encontro, o seu apoio ao pleito do Brasil para se tornar membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e disse que considera o Brasil a "escolha ideal". A reforma do Conselho, que implicaria na inclusão de países em desenvolvimento como membros permanentes, ajudaria, segundo Al-Assad, a introduzir maior equilíbrio no órgão.
O presidente sírio também recebeu o convite do presidente Lula para participar da cúpula e disse que estará no encontro. Al-Assad pediu que Amorim transmitisse a Lula o recado de que ele é uma pessoa muito querida na região e, em particular, na Síria.
Durante as conversas, Amorim também falou sobre a necessidade de convocar os empresários do país para o foro empresarial que ocorrerá paralelamente à cúpula. Essa, de acordo com o chanceler, seria uma maneira de estimular o aumento do comércio entre as duas regiões. No ano passado, o Brasil faturou US$ 161 milhões com as vendas para a Síria, mas importou apenas US$ 5,2 milhões. O encontro entre Amorim e Al-Assad ocorreu no sábado.
Investimentos
O ministro Celso Amorim também participou, no domingo, do Fórum Econômico de Jeddah, na Arábia Saudita. Na palestra que fez durante o Fórum, o ministro falou sobre os bons números da economia brasileira, como o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e os investimentos estrangeiros, e ressaltou a aprovação da Lei das Parcerias Público-Privadas. A lei determinou as regras para o investimento do capital privado em empreendimentos de interesse público, área para a qual o governo quer atrair capital estrangeiro.
Os encontros com autoridades árabes e a participação no seminário de Jeddah fazem parte da programação da viagem de Amorim a nove países árabes. A viagem começou no dia 17 e segue até o próximo sábado, dia 26. Amorim também está chefiando uma delegação de empresários que participa de encontros de negócios na Arábia Saudita e no Kuwait até a quarta-feira (23).

