Alexandre Rocha
São Paulo – O Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), bloco econômico formado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, vão retomar no final do mês as negociações para um tratado de livre comércio. Os integrantes do comitê conjunto, criado pelo acordo-quadro firmado entre as duas partes durante a cúpula dos países árabes e sul-americanos em maio, vão se reunir nos dias 26 e 27 em Riad, capital da Arábia Saudita.
De acordo com fontes do Itamaraty, serão discutidos "métodos e modalidades" e um cronograma de trabalho. Ou seja, os diplomatas vão definir, entre outras coisas, a abrangência que o tratado terá, o que será contemplado e o que ficará de fora das negociações.
Para o Brasil o acordo deve incluir o acesso aos mercados de bens, serviços e investimentos. A proposta, no entanto, ainda não foi discutida no âmbito do Mercosul, o que vai ocorrer durante esta semana e a próxima. A rodada de negociações seguinte será realizada em um dos países do bloco sul-americano no início de 2006.
A delegação brasileira deverá contar com a presença de dois dos principais nomes da diplomacia brasileira atualmente: o diretor do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, Mario Vilalva, e o diretor do Departamento de Negociações Internacionais, Régis Arslanian.
Negócios
É que não serão feitos somente esforços nas negociações diplomáticas. O Ministério das Relações Exterior vai aproveitar a oportunidade para promover uma missão comercial à Arábia Saudita e aos Emirados Árabes Unidos. De acordo com Rodrigo Santos, do Departamento de Promoção Comercial, cerca de 15 representantes de empresas e entidades devem participar da delegação.
Entre estas instituições, segundo Santos, estão as construtoras Andrade Gutierrez e Odebrecht; o Banco do Brasil; a trading Comexport; a Granimex, da área de granitos e mármores; e a Docol, de metais sanitários. O Itamaraty quer levar também representantes do Ministério da Saúde para tratar de transferência de tecnologia na área de vacinas; do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); e da Petrobras.
"Está missão será uma continuação da outra que fizemos em fevereiro", disse Santos. "Vamos levar empresas que já tenham interesses identificados na região", acrescentou.
Parte da delegação vai estar nos Emirados entre os dias 19 e 21. Além de encontros empresariais em separado e visita à Câmara de Comércio e Indústria de Dubai, a idéia, de acordo com Santos, é acompanhar também o final da Big5 Show, maior feira do setor de construção civil do Oriente Médio, que vai ocorrer entre os dias 16 e 20. A Câmara de Comércio Árabe Brasileira terá um estande no evento, que vai contar com sete expositores do Brasil.
No dia 21 mesmo a delegação segue para Riad. A agenda, que ainda está sendo finalizada, prevê, além de um encontro com o secretário-geral do GCC, Abdul Rahman Bin Hamad Al-Attiyah, visitas à agência de promoção de investimentos da Arábia Saudita (Sagia), ao Ministério do Petróleo e Recursos Minerais, ao Ministério da Indústria e Comércio, à sede do Fundo de Desenvolvimento Industrial, à Câmara de Comércio e Indústria de Riad e reuniões empresariais.
"A idéia é mostrar que nós queremos desenvolver negócios lá, não apenas bater na porta com o pires na mão dizendo que queremos investimentos no Brasil", disse santos. "Queremos desenvolver negócios lá e chamar a atenção para negócios aqui", acrescentou. Daí a importância da presença de bancos, como o BB e o BNDES, para mostrar que, além da vontade de vender, o Brasil tem capacidade financeira para alavancar diversos negócios.
A Arábia Saudita e os Emirados são, respectivamente, o primeiro e o terceiro destinos das mercadorias brasileiras no mundo árabe. Entre janeiro e outubro, as exportações brasileiras para o mercado saudita somaram US$ 935,8 milhões e para os Emirados, US$ 588,3 milhões.
A Arábia Saudita é também a segunda maior fornecedora do Brasil na região, com mais de US$ 1 bilhão vendidos nos primeiros dez meses do ano, perdendo apenas para a Argélia.

