Isaura Daniel
São Paulo – Apesar da desvalorização do dólar frente ao real, as exportações brasileiras continuam crescendo em ritmo acelerado. As vendas externas do país registraram receita 27,9% maior nos cinco primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado e 23,6% em maio sobre o mesmo mês de 2004. No acumulado dos últimos doze meses, o faturamento foi 32,6% mais alto.
"Os exportadores sabem que se recuarem em função do dólar, podem perder mercados que conquistaram a duras penas", diz a economista da consultoria Tendência, Amarillys Romano. O Brasil faturou US$ 43,4 bilhões com exportações entre janeiro e maio contra US$ 33,9 bilhões no mesmo período do ano passado. Em maio, as vendas ficaram em US$ 9,8 bilhões, quase US$ 2 bilhões a mais do que em maio de 2004.
De acordo com o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, são principalmente as grandes empresas que estão se mantendo no mercado externo apesar da taxa de câmbio. Entre as pequenas empresas, segundo Castro, já começou um movimento de recuo nas exportações em função do dólar. Em março, por exemplo, caiu em 259 o número de empresas brasileiras que participam do comércio internacional. Em abril, foram 11 companhias a menos.
Apesar disso, não se fala em queda das exportações. "No mês de junho as exportações deverão chegar a US$ 10 bilhões", diz Castro. Junho terá um dia a mais do que maio.
Os percentuais de crescimento das exportações no segundo semestre do ano, porém, deverão ser menores, de acordo com o vice-presidente da AEB, já que as exportações aumentaram bastante na segunda metade do ano passado. "A base de comparação é mais alta", diz.
Entre janeiro e maio, tanto produtos manufaturados quanto semimanufaturados e básicos registraram faturamento recorde com exportações. As vendas de básicos cresceram 15,4% e ficaram em US$ 11,7 bilhões, as de manufaturados aumentaram 34,4% para US$ 24,5 bilhões, e as de semimanufaturados 35,7% com US$ 6,3 bilhões.
A elevação dos preços do minério de ferro, de acordo com Amarillys, influenciou no desempenho dos básicos. Também outras commodities, como açúcar, café e soja estão com preços altos.
Destinos
Os Estados Unidos foram o principal destino das exportações brasileiras de janeiro a maio, seguidos da Argentina e da China. As exportações cresceram, porém, 61,7% para a Europa Oriental, 48,4% para a África, 40,8% para Aladi, 37,6% para o Mercosul, 28% para o Oriente Médio, 19,9% para a Ásia e 18,6% para a União Européia. As vendas para a China caíram 3%.
Investimentos
Também as importações tiveram crescimento expressivo nos cinco primeiros meses do ano: 22,2% sobre o mesmo período de 2004. O Brasil gastou US$ 27,8 bilhões com compras externas, US$ 5 bilhões a mais do que no início de 2004. O aumento, de acordo com Castro, é decorrente tanto da compra de matérias-primas importadas, quanto de bens de capital e da elevação dos preços do petróleo.
O vice-presidente acredita que as indústrias estão aproveitando a taxa de câmbio para comprar máquinas e que estão também trocando insumos nacionais por importados em função dos preços. Já a economista da Tendências interpreta os números das importações como uma indicação de que a indústria brasileira está investindo.
As importações de bens de capital passaram de US$ 4,5 bilhões entre janeiro e maio do ano passado para US$ 5,7 bilhões neste ano. As compras de matérias-primas saíram de US$ 12,2 bilhões para US$ 14,5 bilhões e as de petróleo de US$ 2,5 bilhões para US$ 2,9 bilhões.

