Marina Sarruf
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São Paulo – Falta agressividade por parte das empresas brasileiras para conseguir entrar no mercado árabe e atrair investimentos. Essa foi uma das afirmações feita pelo secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, durante sua palestra no 120º Encontro de Comércio Exterior (Encomex), realizada hoje (04) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
"Os países árabes concentram 75% das reservas de petróleo do mundo, por isso eles têm muito dinheiro para investir dentro e fora de seus países, mas infelizmente esses investimentos não vêm para o Brasil. Isso é algo que precisamos trabalhar", afirmou Alaby para um público de 80 pessoas entre pequenos e médios empresários.
Segundo Alaby, a renda per capta dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), formado pela Arábia Saudita, Barhein, Emirados Árabes, Kuwait, Catar e Omã, é de US$ 15 mil. Ele destacou que os Emirados, que são grandes re-exportadores. "Eles abastecem 1,2 bilhão de pessoas no exterior. Têm o segundo maior porto do mundo em termos de movimentação. Contam com uma zona franca com mais de duas mil empresas estrangeiras", acrescentou.
De acordo com Alaby, só a China tem um centro de distribuição na zona franca de Jebel Ali de 100 mil metros quadrados. Ele disse também que o Brasil já conta com uma área em Jebel Ali, administrada pela Agência de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex), mas com um espaço bem menor.
Durante a palestra, Alaby deu algumas dicas para os empresários que têm interesse em começar a exportar para os países árabes, como consultar o calendário islâmico antes de viajar para a região, não pressionar durante as negociações, não discutir política nem religião e não estranhar o alto tom de voz na hora deles barganhar. "É preciso lembrar também que Irã, Tailândia e Malásia, por exemplo, têm grandes populações islâmicas, mas não são países árabes", disse.
Em relação às oportunidades de negócios para as empresas brasileiras, Alaby citou os setores de construção e serviços, moda, jóias, cosméticos, alimentos, sucos, couro, madeira, móveis, software e turismo. De 2000 para 2006, as exportações brasileiras para os países árabes aumentaram em quatro vezes e meia, saindo de US$ 1,5 bilhão para US$ 6,6 bilhões. Entre os produtos que o Brasil mais exporta estão carnes, açúcar, autopeças, maquinários, café, soja, aeronaves e ferro.
"O Brasil tem flexibilidade, criatividade e a simpatia dos árabes, devido à grande comunidade árabe no Brasil. Isso são vantagens para nós", disse Alaby. Ele lembrou ainda que o país já tem uma rota marítima regular para os Emirados Árabes e em outubro vai contar também com vôos diretos de São Paulo para Dubai.
No final da apresentação, mais de 30 empresários pediram os dados da palestra para o assistente do departamento de Desenvolvimento de Mercado da Câmara Árabe, Sotirios Denis Ghinis, que estava presente.

