Alexandre Rocha
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São Paulo – Frente ao aumento do consumo de alimentos e do preço da carne bovina no mercado internacional, o frigorífico Minerva, companhia de capital aberto sediada no interior de São Paulo, aposta no crescimento das exportações de gado em pé, sendo que o Líbano é um dos principais mercados do ramo. O superintendente de Relações com Investidores do grupo, Ronald Aitken, disse à ANBA que a participação das vendas externas de bois vivos no faturamento passou de 4% em 2006, para 13% em 2007 e 15% no primeiro trimestre deste ano.
“O principal fator de crescimento é que há no mundo uma demanda muito forte por matérias-primas”, afirmou o executivo. “E o Brasil é um dos poucos países que têm capacidade de expansão do rebanho e da produção”, acrescentou. Entre as vantagens competitivas do país, segundo ele, está o fato do gado ser majoritariamente alimentado com pasto, o que reduz os custos com alimentação, especialmente num momento em que os preços dos grãos estão em alta.
No ano passado, o Brasil exportou o equivalente a US$ 260 milhões em gado vivo, sem contar as vendas de bois e vacas para reprodução, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A Venezuela foi o principal destino, com importações de US$ 189 milhões, seguida do Líbano, com US$ 70,8 milhões.
No primeiro trimestre deste ano, os embarques totais renderam US$ 68,2 milhões, ante US$ 22,5 milhões no mesmo período de 2007. A Venezuela comprou o equivalente a US$ 58,9 milhões e o Líbano a US$ 9,3 milhões. O mercado mundial, de acordo com Aitken, movimenta cerca de US$ 2 bilhões por ano, sendo que a Austrália é a maior fornecedora.
Segundo Aitken, há no Líbano uma demanda específica pelos animais por questões religiosas e culturais, pois uma parte da população prefere comprar a chamada “carne quente”, ou seja, resultante do abate local e vendida em açougues, em vez de carne resfriada e congelada, que é exportada em grande quantidade pelo Brasil. Os importadores libaneses fornecem o gado brasileiro também para outros países próximos.
O caso da Venezuela é diferente. De acordo com o executivo, por razões políticas o governo do país sul-americano subsidia a importação de bois com o objetivo de gerar empregos nos frigoríficos locais.
E o que leva os produtores brasileiros a se interessarem pela exportação é que, para ter os animais vivos, os importadores acabam oferecendo valores maiores do que os pagos no mercado interno, especialmente no Pará, onde ocorre o maior número de embarques. No caso, o Minerva atua como trading, vendendo a produção de terceiros.
Apesar da indústria brasileira da carne criticar essa prática, alegando que as vendas externas diminuem a oferta de bois no mercado interno e, conseqüentemente, fazem aumentar os preços dos animais, o Minerva, que é um dos grandes frigoríficos do Brasil, decidiu oferecer aos seus clientes um portfólio completo, que vai desde a matéria-prima até o produto final.
Aitken alega, no entanto, que o número de cabeças exportadas é insignificante frente ao tamanho do rebanho brasileiro, o que faz com que a atividade tenha pouca influência na formação dos preços internos. “No ano passado foram exportados 432 mil animais, enquanto que no Brasil foram abatidos cerca de 45 milhões. Ou seja, as exportações representam menos de 1% do total”, afirmou. “Esse impacto não existe, o que pressiona os preços é o próprio ciclo da pecuária”, acrescentou.
Segundo o executivo, o Minerva teve em 2007 uma participação de 50% no mercado de exportação de gado em pé, quando suas vendas externas cresceram 305%. A empresa informa que no primeiro trimestre deste ano a fatia subiu para 67% dos embarques.
E a perspectiva, de acordo com Aitken, é de que as vendas continuem a aumentar, uma vez que a companhia espera realizar negócios em outros mercados, como Angola, Rússia e Itália. Em sua avaliação, o Minerva tem uma vantagem competitiva que são contratos de exclusividade com empresas européias de logística que têm navios “currais”, específicos para esse tipo de transporte, que podem levar 17 mil cabeças, têm ventilação para os animais, espaço para armazenagem de ração e capacidade de dessalinização de água do mar. “A logística é o pulo do gato nesse negócio, que é de exportação em grande escala”, ressaltou.
Perfil
Além de gado em pé, o Minerva comercializa também couro wet blue e carne bovina. A empresa, com sede em Barretos, no interior paulista, tem em operação seis unidades industriais nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Tocantins. Sua capacidade de abate é de 5,5 mil cabeças por dia e de processamento de carne de 1,3 mil toneladas diárias.
A companhia tem em fase de construção mais três unidades, uma em Rondônia, outra em Tocantins e a última no Pará, que quando concluídas vão ampliar a capacidade de abate para 7,5 mil cabeças por dia e de processamento de carne para 1,9 mil toneladas diárias.
No ano passado, o Minerva foi uma dos três maiores exportadores de carne do Brasil, com embarques avaliados em US$ 563 milhões. Ela vende para cerca de 600 importadores de 80 países. Em 2007, o lucro líquido da empresa foi de R$ 66,3 milhões, ante R$ 53,6 milhões em 2006. O grupo emprega 5 mil pessoas e 32% de suas ações são negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

