Da Agência Brasil
Brasília – A tentativa do governo brasileiro de combinar a política financeira com a implementação de reformas sociais está sendo considerada exemplar pelo ministro das Finanças da Alemanha, Hans Eichel.
O ministro, que veio a Brasília para uma série de encontros sobre o G-20 (grupo formado por países emergentes e ricos para amenizar efeitos de crises internacionais), defendeu, depois de reunir-se com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que seja dado o apoio necessário de todos, fora e dentro do país, para a implementação dessas políticas.
Eichel também reconheceu que as empresas alemães precisam estar mais presentes no Brasil, embora já tenham uma boa representação no país. "Não podemos mandar o empresário alemão investir no Brasil, mas podemos incentivá-los a fazer e faremos em encontros internacionais", prometeu ele.
Um argumento, segundo ele, para aumentar a participação do capital alemão no Brasil é a política econômica que o governo Lula está implementando no país. Um exemplo é o crescimento da economia com o PIB estimado em 3,5% do PIB para este ano.
Quanto às estratégias do G-20, que a partir deste ano passa a ser coordenado pela Alemanha, o ministro disse que um dos objetivos do grupo é definir, por exemplo, um código de conduta viável para ser usado em casos como o da Argentina,com normas claras para lidar e negociar durante as crises graves.
Outro ponto considerado por ele de muita importância é encontrar consenso para fomentar estabilidade e crescimento econômico. "O governo Lula tem um papel muito importante nesse cenário porque vê a necessidade de acrescentar uma dimensão social, com distribuição de renda", afirmou.
Eichel também defendeu a liberdade comercial e o fim dos subsídios agrícolas, além de propor um combate maior nos abusos cometidos nos mercado financeiros, como o financiamento de ações terroristas e a lavagem de dinheiro. Outra preocupação demonstrada por ele é "o malefício dos paraísos fiscais".
O ministro de finanças alemão também declarou ser um aliado do Brasil na implantação do protocolo de Kyoto, que pretende reduzir a emissão de gases poluentes na atmosfera, com uma espécie de indenização para quem poluir menos. Protocolo esse que, apesar de ter o apoio da maioria dos países, é rejeitado pelos Estados Unidos.
Sobre o efeito da economia dos Estados Unidos, em que um simples anúncio sobre a mudança nas taxas de juros tem forte impacto no mercado financeiro dos países emergentes, e conseqüentemente no crescimento, ele disse que todos os países deveriam contribuir para estabilizar e incrementar a economia mundial.
Por outro lado, acredita que esse esforço para um crescimento sustentável deve vir com reformas estruturais. "Um vez implementadas, contribuirão também para incrementar o mercado internacional, com mais exportações do países emergentes para os países desenvolvidos. Além disso, os Estados Unidos deveriam diminuir o déficit comercial deles e reduzir a taxa privada de poupança externa", disse.
Sobre a questão do Brasil ter um banco central, Eichel disse que, a partir da experiência européia , um banco central autônomo é bom para permitir uma política financeira sustentável e uma política de controle de preços razoável.
Fundado em 1999, na cidade de Berlim, Alemanha, mesma época em que o Brasil atravessava por uma forte crise cambial, o G-20 tem como fortalecer o sistema financeiro internacional, além de consolidar as bases para um desenvolvimento sustentado. Juntos os países do G-20 representam 94% do PIB mundial.

