Randa Achmawi
Cairo – O ministro egípcio do Comércio e Indústria, Rachid Mohamed Rachid, vai liderar uma missão empresarial do país árabe ao Brasil até o final deste ano. O anúncio foi feito por Rachid na abertura de um seminário promovido em função da visita da missão empresarial da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) ao país árabe. O seminário ocorreu no último final de semana, no Cairo.
“Mencionei há pouco, ao embaixador do Brasil (no Cairo), Elim Dutra, ao vice-governador de Minas Gerais, Antonio Anastásia, e ao presidente da Fiemg, Robson Braga de Andrade, que irei ao Brasil este ano e farei de tudo para que me acompanhe uma delegação de empresários tão grande quanto esta ou até maior”, disse o ministro. Andrade e Anastásia lideram a missão mineira ao mundo árabe, concluída no final de semana.
Rachid prometeu que durante sua viagem programará uma visita ao estado de Minas Gerais. O ministro afirmou acreditar no papel dos governos (egípcio e brasileiro) para abertura e melhoria dos canais de comunicação e de aproximação entre o Brasil e o Egito na área econômica. “Existe uma vasta gama de possibilidades de trabalho conjunto a ser prospectada. E aqui no Egito olhamos para o Brasil como principal atrativo na América Latina”, disse.
O ministro egípcio falou que os US$ 1,3 bilhão que o Brasil e o Egito tiveram de comércio no ano passado é um “bom começo”. Segundo ele, este volume pode crescer muito pois os números ainda estão aquém das possibilidades. “Sei que a balança está a favor do Brasil e que compramos muito mais do que vendemos. Mas isso não nos incomoda. Achamos que é melhor comprar do Brasil do que comprar de qualquer outro lugar. Este é um país pelo qual estamos bastante interessados e com o qual gostaríamos de aprofundar nossas relações", afirmou.
Rachid pediu à comunidade empresarial, tanto egípcia quanto brasileira, que faça crescer ainda mais o comércio, para benefício dos dois países, e que aproveitem todas as oportunidades existentes. Uma das possibilidades que se apresenta neste momento, e que foi ressaltada pelo ministro egípcio, é a de cooperação no setor agrícola, em produção e processamento de alimentos.
“Todos sabemos que o Brasil é um país líder nesta área, já tendo provado sua grande competitividade em nível mundial. Por esta razão acredito na necessidade de um trabalho conjunto cada vez mais intenso. Este deveria incluir cooperação em tecnologia de agricultura, de processamento de alimentos, produção de fertilizantes e máquinas necessárias para a produção de alimentos”, disse.
No que diz respeito ao acordo de livre comércio entre o Egito e o Mercosul (que está sendo negociado), o ministro afirmou que este será um instrumento para ajudar a melhor as relações e não é um fim em si. “Não creio que a comunidade empresarial deva ficar esperando a sua finalização para começar a trabalhar. Este é só um acordo ou um protocolo, mas o impulso das relações econômicas está nas mãos da comunidade empresarial. Pois são eles que farão as coisas acontecerem. E o que me interessa, na verdade, é ver os empresários fazendo um negócio após o outro”, falou.
O ministro reafirmou a intenção do governo egípcio de manter uma relação estratégica com o Brasil e agradeceu a todos aos que dispensam contínuos esforços para esta aproximação. Expressou agradecimentos especiais à embaixada do Brasil no Cairo, à Câmara de Comercio Árabe Brasileira, representada na missão pelo secretário-geral, Michel Alaby, à Federação Egípcia de Câmaras de Comércio, à Associação de Empresários egípcios (EBA) e ao Conselho Empresarial Brasil-Egito.
Seminário
Além das apresentações que incluíram temas “Como fazer negócios com Minas Gerais” feita pelo subsecretário de Assuntos internacionais da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Luis Antonio Athayde, ou “Como fazer negócios no Egito”, feita pelo secretario geral da Federação Egípcia de Câmaras de Comércio, Alaa Ezz, o evento incluiu rodadas de negócios.
Durante ela, empresas mineiras dos setores de alimentos, têxtil, caçados, moda, borracha, café, matérias-primas para cosméticos, móveis, fertilizantes, celulose, papel e papelão, granitos, produtos de construção civil e plástico, que participaram do evento, tiveram 100 encontros com empresários e representantes de empresas egípcias.
“O que mais me impressionou foi o fato de que as empresas egípcias não vêm procurando um item específico. Elas vêm interessadas em conhecer e comprar, literalmente, qualquer coisa que o Brasil tenha a oferecer. Nos perguntam sobre tudo. Sobre produtos que já viram ou ouviram falar e também querem saber sobre qualquer outra novidade que estejamos produzindo ou vendendo. Qualquer coisa que seja made in Brazil”, conta Tânia Reis, diretora comercial do Grupo Serpa, que representa 70 empresas mineiras.
Frango
Se tratando de perspectivas concretas de exportações para o Egito, o setor de alimentos, especificamente o de frangos, deverá receber um impulso nos próximos meses. Segundo informações do secretário geral da Câmara de Comercio Árabe Brasileira, Michel Alaby, o Egito deverá reduzir, em breve, as atuais taxas para a importação de frangos de 30% para 10% ou até mesmo para 0%. Isso deverá aumentar ainda mais as exportações de frango brasileiro para o Egito.
“Se isso realmente acontecer, uma das empresas mineiras produtoras de frango, que representamos, a Rivelli, terá uma chance enorme de entrar no mercado egípcio”, explica Tânia. “Recebemos um pedido importante de frangos de dois quilos”, disse. O Egito é um país onde, segundo números apresentados por Tânia, se consome em media, 2 milhões de frangos por mês.

