Randa Achmawi, especial para a ANBA
Cairo (Egito) – O Ministro da Indústria e Comércio Exterior do Egito, Rachid Mohamed Rachid, confirmou, em entrevista à ANBA, que virá ao Brasil, provavelmente no final de abril, liderando uma missão empresarial de seu país. "Noto que o interesse pelo Brasil aqui no Egito está aumentando. Mas ainda há muito a ser feito, sobretudo no que diz respeito ao aumento das exportações egípcias para o Brasil", afirmou.
Segundo informações da Embaixada brasileira no Cairo, o Brasil é hoje o sexto maior fornecedor internacional do país árabe. No ano passado, o Brasil exportou o equivalente a US$ 623 milhões ao Egito, um crescimento de 35% em relação a 2003. As importações, porém, somaram apenas US$ 33 milhões, com uma diminuição de 3,3% sobre o ano anterior. "Creio que uma das prioridades, neste momento, é a criação de um maior número de meios de transporte para ligar os nossos países", declarou o ministro.
Na opinião de Rachid, o acordo de preferências tarifárias negociado atualmente entre o Egito e o Mercosul também deverá incentivar o aumento do fluxo comercial. Ele disse ainda que a reunião de cúpula dos países árabes e sul-americanos, que será realizada em maio em Brasília, vai provocar o aumento das relações políticas, econômicas e culturais entre os dois blocos. Leia a seguir os principais trechos da entrevista:
ANBA – Como o senhor avalia o crescimento das relações comerciais entre o Egito e o Brasil no último ano em particular?
Rachid Mohamed Rachid – Sei que houve um aumento surpreendente no comércio entre o Egito e o Brasil. É evidente que o Brasil possui um potencial que deve ser levado em consideração por diversas razões: ele é o maior país da América do Sul e da América Latina; é um país classificado como um dos mais ricos do mundo, sendo, se não me engano, a nona maior economia do planeta; é um país bastante desenvolvido em matéria de indústria e tecnologia; é onde existe uma grande diversidade; e o fato de que existe nele uma importante comunidade de origem árabe também só faz com que nosso interesse em nos aproximar aumente. Existem, no entanto, várias dificuldades. As queixas giram sobretudo em torno da distância geográfica e um dos obstáculos constantemente mencionados é a dificuldade no transporte. Creio que uma das prioridades, neste momento, é criação de um maior número de meios de transporte entre nossos países. Um outro problema é a falta de comunicação e de informações vindas do Brasil sobre as possibilidades oferecidas pelo país.
O senhor anunciou recentemente a intenção de fazer uma viagem ao Brasil e levar uma delegação de empresários egípcios. Quais serão os principais objetivos desta viagem e quem são os empresários que vão acompanhá-lo?
Estamos planejando uma viagem ao Brasil e penso que ela deverá ocorrer no final de abril. Ela terá como principal objetivo estudar as possibilidades de promover uma maior aproximação com este país e também desenvolver uma maior cooperação em diversas áreas. Existem algumas idéias, mas creio que especialmente a cooperação e o intercambio na área científica e tecnológica nos interessam. Vários empresários deverão participar desta viagem, mas agora não posso dar informações exatas sobre quem fará parte da delegação. Temos que levar conosco empresários interessados na América do Sul e estamos trabalhando muito para que a missão tenha resultados concretos e efetivos.
Qual o potencial de crescimento dos negócios entre os dois países, de que maneira o Egito pode aumentar suas exportações para o Brasil?
Quanto às relações comerciais propriamente ditas existem inúmeras possibilidades que ainda não foram exploradas. Muito tem sido feito para melhorar a situação, noto que o interesse pelo Brasil aqui no Egito também está aumentando. Mas ainda há muito a ser feito, sobretudo no que diz respeito ao aumento das exportações egípcias para o Brasil. Existem algumas possibilidades de aumentar nossas exportações de produtos agrícolas, como cebola e arroz, ou de tecidos, alguns produtos químicos e farmacêuticos, etc.
A partir do dia 15, empresas brasileiras vão participar da Feira Internacional do Cairo. Que avaliação o senhor faz do evento?
Esta é uma feira que para nós tem uma grande importância. Sei que algumas companhias brasileiras participarão dela, considero este fato bastante positivo e poderá contribuir para acelerar as nossas relações comerciais com o Brasil. Estive recentemente com o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e ele me disse que talvez viesse ao Egito durante a feira. Mas segundo me consta sua visita ainda não foi confirmada.
E as negociações entre o Mercosul e o Egito em torno do acordo de preferências tarifárias. Como andam?
O acordo de preferências tarifárias será, sem dúvida, um passo muito importante em direção ao aumento do fluxo comercial entre o Egito e o Mercosul. Estamos trabalhando muito sobre esta questão, sobretudo sobre os detalhes do acordo para que ele possa, enfim, ser finalizado e que possa entrar em vigor o mais breve possível.
Quais são suas perspectivas e as do governo egípcio em torno da reunião de cúpula dos chefes de estado árabes e da América do Sul?
Nós acreditamos que a cúpula vai proporcionar uma grande aproximação, sobretudo do ponto de vista político entre os dois blocos. Quanto ao resto, ao aumento das relações econômicas, culturais e da cooperação, tudo isso virá como conseqüência deste importante evento.

