Isaura Daniel
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São Paulo – A missão egípcia que está no Brasil liderada pelo ministro da Solidariedade Social do país árabe, Ali El-Sayed Al-Moselhi, conheceu ontem (20) em Brasília como o Fome Zero, programa brasileiro de ação social, é executado dentro do governo federal. De acordo com a assessora especial do Fome Zero, Adriana Aranha, que recebeu Al-Moselhi no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), o grupo ficou interessado em saber como o programa é levado adiante por diferentes ministérios. O Fome Zero é executado por 11 pastas do governo brasileiro: Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Educação, Saúde, Agricultura, Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário, Justiça, Trabalho e Emprego, Ciência e Tecnologia, Integração Nacional e Fazenda.
Al-Moselhi elogiou o Fome Zero, de acordo com informações da assessoria de comunicação do MDS. O ministro egípcio desembarcou no Brasil no último final de semana, a convite do ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, para conhecer as ações sociais implementadas pelo governo federal no país. Acompanhado de uma equipe de sete pessoas, funcionários do seu ministério, do Ministério da Saúde do Egito, da embaixada da Holanda no Cairo e do Programa Mundial de Alimentação no Egito, ele terá até sexta-feira uma série de atividades para conhecer mais profundamente o Fome Zero. Hoje será recebido por Patrus Ananias e entre quarta-feira e sexta-feira vai visitar iniciativas sociais implementadas no município de Guarulhos, no estado de São Paulo.
Ontem pela manhã os egípcios foram recebidos por Adriana, pelo chefe da assessoria internacional do MDS, Silas Leite, e o representante do Grupo de Trabalho do Fome Zero do Ministério das Relações Exteriores, Milton Rondon. De acordo com Adriana, outro foco de interesse do grupo foi como é feita a seleção das famílias que recebem recursos do Bolsa Família. Um total de 11 milhões de famílias pobres brasileiras recebem um complemento de renda do governo pelo Bolsa Família, que os permite ter acesso à alimentação. De acordo com Adriana, oito milhões de pessoas saíram da extrema pobreza no Brasil entre os anos de 2003, ano em que o Fome Zero começou a ser implementado, e 2005. Esses resultados foram apresentados aos egípcios.
Eles ouviram uma explicação geral de como funciona todo o Fome Zero, que inclui não só o Bolsa Família, mas também o programa de alimentação e nutrição nas escolas públicas. O governo federal aumentou, segundo Adriana, em 40% o valor per capita repassado para a merenda escolar em escolas públicas. O programa atende 37 milhões de crianças. No caso de comunidades indígenas e quilombos, o valor repassado por criança dobra em relação aos valores normais. O Fome Zero também inclui o financiamento à construção das cisternas em regiões de seca do Brasil e o financiamento à construção e compra de equipamentos para abertura de restaurantes populares, voltados para pessoas de baixa renda, em municípios com mais de 100 mil habitantes.
"Este não é somente um programa de transferência de renda: ele procura o desenvolvimento de recursos humanos, seja pela educação ou pela geração de oportunidades", disse o ministro egípcio ao se referir ao Bolsa Família, em entrevista à assessoria de imprensa do MDS. Segundo ele, dos 75 milhões de habitantes do Egito, 20% estão abaixo da linha da pobreza e outros 20% precisam de apoio e mais oportunidades. De acordo com Al-Moselhi, o governo egípcio pensa em fazer uma reforma social e quer aprender com outros países. Por isso, segundo ele, é importante olhar para a experiência brasileira.
O grupo terá, até o final do dia de hoje, uma série de outros encontros com profissionais de diferentes secretarias do governo. Na quarta-feira, o ministro egípcio e seus acompanhantes estarão em São Paulo. Além de conhecer os programas de ação social implementados em Guarulhos, eles serão recebidos por lideranças da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. A agenda da missão no país foi organizada com a ajuda do Escritório Comercial do Egito em São Paulo.

