São Paulo – O vice-primeiro-ministro da Líbia, Abdulsalam Al Mahdi Al Qadi, visita o Brasil esta semana, com passagens por Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. De acordo com o deputado federal Adrian Mussi (PMDB-RJ), presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Líbia, a visita faz parte do processo de reaproximação dos dois países após a queda de Muamar Kadafi, morto em 2011 em meio à revolução que pôs fim aos seus mais de 40 anos de governo.
“Estamos fazendo um trabalho para retomar as relações comerciais entre os dois países”, disse o deputado, que esteve em Trípoli em dezembro e convidou Qadi a vir ao Brasil. Segundo ele, as empresas brasileiras que atuavam em obras no país árabe antes do conflito civil ainda estão com seus contratos suspensos.
“Estamos trabalhando para retomar os contratos dessas empresas e abrir espaços para outras”, acrescentou o parlamentar. Entre as companhias nacionais que atuavam na Líbia estão as construtoras Odebrecht, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, além da Petrobras.
Nesta quarta-feira (17), Qadi terá encontros com o vice-presidente Michel Temer, o chanceler Antonio Patriota e o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB-RJ). De acordo com Mussi, estão previstas ainda reuniões com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e com representantes do Ministério da Agricultura.
Na quinta-feira, o vice-primeiro-ministro estará em São Paulo para visitas na Câmara de Comércio Árabe Brasileira e na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Na avaliação de Mussi, a Líbia é um país “altamente promissor” do ponto de vista econômico, pois tem grandes reservas de petróleo, mas uma população pequena. “A Líbia pode ser um grande parceiro comercial do Brasil”, declarou. Qadi vai ainda ao Rio e terá encontro da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
Ele acrescentou que os líbios têm interesse em promover o intercâmbio com o Brasil também em outras áreas. “Eles veem o Brasil como um grande exemplo de um país que passou por uma ditadura e depois deu certo como democracia”, afirmou o deputado, referindo-se ao regime militar que governou o País de 1964 a 1985. Nesse sentido, há procura por cooperação nas áreas parlamentar, esportiva, agrícola e de turismo.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações do Brasil à Líbia chegaram a US$ 456 milhões em 2010. No ano seguinte, caíram para US$ 102 milhões por causa da revolução, mas em 2012 já subiram para US$ 423 milhões. No primeiro trimestre de 2013, os embarques renderam US$ 137,7 milhões, um aumento de 56% sobre o mesmo período do ano passado.
Já as importações, que chegaram a US$ 1,4 bilhão em 2008, caíram até quase zerar em 2011, e no ano passado foram inexistentes. Nos três primeiros meses de 2013, somaram US$ 78 milhões.


