Alexandre Rocha
São Paulo – O Ministro da Economia e Comércio Exterior da Síria, Amer Lutfi, propôs ontem (10), durante visita à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do estado de São Paulo, a realização de uma exposição de produtos brasileiros em seu país e de uma mostra de mercadorias sírias no Brasil, como forma de promover o comércio entre os dois países.
"Gostaríamos de fazer uma exposição de produtos brasileiros na Síria e outra de produtos sírios no Brasil", disse o ministro. "Talvez uma Semana Brasileira na Síria, que tenha em vista não apenas o comércio, mas também a cultura, as artes e até o futebol", acrescentou.
A idéia foi bem recebida pelos representantes do governo paulista. "A idéia de realizar eventos na Síria e no Brasil, para aproximar governos e empresas, parece muito oportuna e estamos abertos a avançar neste sentido", disse o secretário adjunto da pasta, Fernando Menezes, que recebeu o ministro junto com o assessor de relações internacionais, Flávio Musa. O titular João Carlos Meirelles está acompanhando o governador Geraldo Alckmin em uma viagem à Índia.
Para o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Antonio Sarkis Jr., a realização de eventos do gênero pode ser considerada uma resposta ao crescimento do comércio entre os dois países. "O comércio começou a aumentar muito recentemente, o que demonstra a existência de um mercado que não vinha sendo explorado", afirmou. "Consideramos a Câmara Árabe nossa porta de entrada para o Brasil", acrescentou o ministro.
A proposta de intensificar a realização de eventos de negócios surgiu justamente da constatação que, embora esteja aumentando, o comércio entre o Brasil e a Síria ainda está muito aquém das possibilidades. "A comércio ainda está muito abaixo do nível que aspiramos. Ele deve ser maior, inclusive com relação aos investimentos", declarou Lutfi.
Entre janeiro e outubro, segundo informações da Secretaria de Comércio Exterior do governo federal (Secex), as exportações brasileiras para a Síria renderam US$ 146,2 milhões, um crescimento de 3,4% em comparação com o mesmo período de 2004. As importações, por sua vez, somaram US$ 53,9 milhões, ante apenas US$ 4,2 milhões nos primeiros dez meses do ano passado. A pauta, porém, é muito concentrada no açúcar, do lado brasileiro, e nas naftas para a indústria petroquímica, do lado sírio.
O ministro ressaltou que a Síria passa por um processo de abertura econômica, com a liberalização do comércio exterior e a criação de incentivos para a atração de investimentos estrangeiros diretos. Como exemplo, ele citou o decreto que autorizou recentemente a importação de roupas e calçados prontos. Antes o país só permitia a compra de insumos para estes setores. "E convidamos o Brasil para exportar qualquer tipo de roupas e calçados para a Síria", declarou.
Parcerias
Lutfi falou do processo de abertura também na Federação das Indústrias do Estados de São Paulo (Fiesp), onde foi recebido pelo vice-presidente, Elias Miguel Haddad, e outros diretores da entidade. Além da liberalização do comércio e do câmbio, o ministro disse que seu país passa por reformas no setor bancário e no mercado de capitais.
"Há um grande número de pedidos para abertura de novos bancos particulares, pois nós eliminamos a necessidade de haver 51% de capital sírio. Agora o banco pode ser 100% estrangeiro", declarou. "E na primeira metade de 2006 vai começar a funcionar a bolsa de valores", acrescentou.
Ele falou também de oportunidades de investimentos na indústria alimentícia, no setor de petróleo e gás e no turismo, segmentos considerados essenciais. "Damasco, por exemplo, é cidade habitada mais antiga do mundo, tem 8 mil anos de história", disse. "Mas outros países da região estão na nossa frente nos investimentos no turismo, temos um território virgem", acrescentou. "Não estamos pedindo ajuda para a Síria, estamos convidando os empresários para ir lá ganhar dinheiro", reforçou.
Além disso, Lutfi declarou que a Síria é também uma porta de entrada para o Iraque. "Tudo o que é produzido na Síria pode ser exportado ao Iraque e grande parte do que vai para o país vizinho passa por nosso território", afirmou.
Haddad disse que a estrutura de Fiesp, que conta com 14 mil funcionários e um orçamento anual de R$ 1,2 bilhão, está à disposição para fortalecer as relações. "Precisamos juntos buscar um caminho para o desenvolvimento do nosso comércio", afirmou. "Ele precisa alcançar níveis condizentes com a importância dos dois países."
Lutfi se comprometeu a elaborar uma lista com as idéias dos empresários sírios sobre investimentos conjuntos, e ficou de encaminhá-la para a Câmara Árabe e para a Fiesp. Antonio Sarkis disse que a Câmara estará à disposição para apoiar qualquer atividade que possa aproximar as economias dos dois países.

