Isaura Daniel
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São Paulo – O ministro da Solidariedade Social do Egito, Ali El-Sayed Al-Moselhi, que está no Brasil para conhecer os programas sociais implementados do país, pretende criar restaurantes populares no Egito, a exemplo dos que existem no Brasil. Os restaurantes voltados para a baixa renda, onde cada refeição é vendida a R$ 1, fazem parte do programa de ação social do governo federal brasileiro, o Fome Zero, que Al-Moselhi está conhecendo. A visita ao Brasil, segundo entrevista do ministro à ANBA, o encorajou a tomar a decisão. Ontem (22) o ministro almoçou em um restaurante popular em Guarulhos, que é levado adiante pelo governo federal e pela Prefeitura Municipal local.
De acordo com Al-Moselhi, no Egito, porém, os restaurantes vão oferecer refeições gratuitas. Esse tipo de serviço, segundo o ministro egípcio, chegou a existir no país árabe, mas foi extinto após década de 50. "Vamos rever esse projeto", afirmou Al-Moselhi. A idéia, segundo ele, é estabelecer os restaurantes em áreas pobres. Em Guarulhos, o ministro, acompanhado da vice-prefeita do município, Eneide Maria Moreira de Lima, pode ver pessoas de baixa renda se alimentando no restaurante da avenida Monteiro Lobato. Al-Moselhi e a comitiva que o acompanha, como todos, comeram arroz, feijão, carne com mandioca, alface e laranja. A refeição foi aprovada pela autoridade egípcia.
Al-Moselhi ficou bem impressionado também com a cooperação que há entre a sociedade civil e o governo para a execução dos programas sociais brasileiros. Em Guarulhos, por exemplo, ele conheceu o Banco de Alimentos, uma estrutura onde ficam alimentos doados, principalmente por empresas, que depois são repassados para entidades como casas de repouso, abrigos e creches. No local também são depositados alimentos comprados pela Prefeitura de Guarulhos que vão para programas sociais mantidos pelo município. O local recebe diariamente quatro toneladas de alimentos. Produtos como legumes e verduras são comprados de pequenos agricultores para incentivar o setor.
Segundo o líder egípcio, existem em seu país experiências como o Banco de Alimentos, mas elas são levadas adiante pela sociedade civil. "Essa visita me incentiva a tentar promover uma cooperação com o setor privado nesta área", disse Al-Moselhi. O ministro destacou a organização do Fome Zero. "Temos as mesmas iniciativas no Egito, mas a questão é como consolidar, como fazer que todas elas funcionem juntas. Essa é a beleza da estratégia do Fome Zero. Tudo funciona sob o mesmo guarda-chuva", afirmou Al-Moselhi. "Eu gostei muito da experiência que vi no Brasil, principalmente em Guarulhos. É muito importante para o Egito", disse o ministro.
A integração de vários programas no Fome Zero também chamou a atenção de Bishow Parajuli, representante e diretor do Programa Mundial de Alimentação, ligado às Nações Unidas, no Egito. Ele faz parte do grupo que acompanha o ministro. "O compromisso do governo brasileiro para eliminar a pobreza é fantástico", disse Parajuli à ANBA. O ministro e sua comitiva passaram o dia de ontem em Guarulhos conhecendo de perto as ações do Fome Zero executadas no município. Além do Banco de Alimentos e do restaurante popular, eles conheceram o Fundo Social da Solidariedade, onde são dadas aulas de costura, cabeleireiro e cozinha para adolescentes carentes.
Al-Moselhi experimentou o pão feito no local e tomou café da manhã preparado pelos alunos. Também viu mulheres tendo aulas de modelagem e conheceu a creche onde ficam os filhos das estudantes, que já são mães, enquanto elas têm aulas. No final do encontro, Al-Moselhi deu seu recado sobre o Egito aos aprendizes de cozinheiros. "Vocês sabem onde fica o Egito?", perguntou. Um deles sabia. Aos que não responderam, ele explicou que o Egito fica no Norte da África, que é o país do faraó Tutankamon, das pirâmides, onde nasceram ciências como a matemática. "É uma das culturas mais antigas do mundo", disse. Al-Moselhi incentivou os adolescentes a aproveitarem a oportunidade que estão tendo para crescerem na vida.
Al-Moselhi desembarcou no Brasil no final de semana. No começo da semana, ele teve vários encontros com representantes do governo brasileiro, em Brasília, nos quais conheceu os programas sociais do país. Ontem ele conheceu as ações do Fome Zero levadas adiante em Guarulhos, o que fará novamente hoje. No estado de São Paulo, a comitiva do ministro está sendo acompanhada pelo cônsul comercial do Egito em São Paulo, Mohamed Bakri Agami, e pelo analista de comércio exterior da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Zein El-Abdine Said, além da assessora internacional do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Thaís Leonardi Bassinello.

