Da Agência Brasil
Brasília – Com o objetivo de aumentar o intercâmbio comercial e discutir as cotas impostas pela Rússia aos produtores de carne brasileira, os ministros da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento, Roberto Rodrigues, e do
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, iniciam hoje em Moscou uma série de encontros com diferentes autoridades do país.
Furlan será recebido pelo vice-premier Boris Alioshin; pelo ministro de Política Antimonopolista e de Apoio à Atividade Empresarial, Ilia Yujanov; pelo ministro-chefe da Administração, Igor Shuvalov; e pelo ministro do
Desenvolvimento Econômico e do Comércio, German Gref.
"Nós vamos reafirmar a diretriz do presidente Lula, de dar prioridade ao relacionamento com a Rússia", lembrou Furlan, que citou entre as áreas onde há oportunidades de investimentos e de joint ventures a petroquímica, a de indústria pesada, a aeroespacial, a genética e a de sistemas de gestão.
"Num período de 15 anos, esperamos que o volume de investimentos bilaterais chegue a US$ 40 bilhões ou US$ 50 bilhões", disse Furlan, acrescentando que "os números são grandiosos porque os países são grandiosos".
Cotas
Atualmente, há um desequilíbrio na balança comercial dos dois países, com US$ 1,5 bilhão em exportações brasileiras e apenas US$ 550 milhões de vendas russas em 2003. Quanto ao sistema de cotas que prejudicou as exportações
brasileiras de carnes (bovinos, suínos e frangos), o ministro destacou que leva a Moscou um estudo demonstrando que pelo menos dois artigos do Acordo de Salvaguardas discutido no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio) não foram respeitados.
O Brasil foi incluído na categoria "outros países", sem cota específica, tendo que disputar com outras nações 68 mil toneladas para carne de frango e igual quantidade para carne bovina.
Segundo o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que amanhã (20) se encontrará com seu colega russo, Alexei V. Gordeev, e com o ministro de Negócios Estrangeiros, Igor Ivanov, "a decisão russa de fixar cotas é prejudicial ao agronegócio brasileiro e não condiz com o nosso potencial
exportador".
Álcool e açúcar
A revisão das cotas para carnes será o tema principal dos encontros de amanhã, mas Rodrigues também pretende abordar a troca do sistema de cotas pelo de tarifas, para importação de açúcar pelo mercado russo.
O Brasil quer se certificar de que o novo modelo de negociação não trará prejuízos, já que a Rússia importa de 4 a 6 milhões de toneladas do produto por ano.
"Também trataremos da abertura do mercado russo para mel, sucos e especiarias", informou Rodrigues, ao lembrar que entre os interesses comerciais da Rússia em relação ao Brasil estão o estabelecimento de parcerias e transferência de tecnologia para a produção e utilização do álcool como aditivo para a gasolina.

