São Paulo – Uma delegação empresarial brasileira, chefiada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, desembarca neste domingo (25) em Trípoli, na Líbia, para a primeira etapa de uma viagem de seis dias ao Norte da África, que vai incluir ainda Argélia, Tunísia e Marrocos.
O objetivo da missão, segundo informações do ministério, é promover o comércio e os investimentos bilaterais. Jorge estará acompanhado por representantes de nove órgãos do governo e 92 empresários e dirigentes de entidades setoriais, como o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Taufic Schahin.
Ao todo 10 setores da economia estão representados na delegação: agronegócio, energia, mineração, informática, bens de capital, automotivo, logística, indústria têxtil e de calçados, construção e defesa. Além dos encontros entre autoridades, vão ocorrer seminários sobre oportunidades comerciais e de investimentos e rodadas de negócios entre empresários.
A viagem tem apoio do Itamaraty e da Câmara Árabe. Schahin vai enfatizar a importância do relacionamento do Brasil com os países árabes. “Precisamos implementar mais e melhores relações comerciais, turísticas e culturais”, disse. Ele pretende ressaltar também a importância econômica do Brasil, que muitas vezes é pouco conhecida no mundo árabe.
Segundo Schahin, outra questão relevante que deve ser abordada é a criação de linhas aéreas e marítimas diretas entre as duas regiões para encurtar as distâncias. Hoje o único vôo direto entre o Brasil e o mundo árabe é a rota Dubai-São Paulo, operada pela Emirates Airline.
Ele quer destacar ainda a vantagem da realização da cada vez mais missões comerciais, para que os empresários das duas regiões possam conhecer o potencial dos negócios bilaterais; ressaltar a importância da cultura árabe para mundo, e para o Brasil em especial; e falar sobre os serviços prestados pela Câmara Árabe.
“É importante que o Brasil reforce os laços comerciais com os países do Norte da África, principalmente porque nossa pauta de exportação é muito restrita às commodities, além de carne e frango. É importante demonstrar a real capacidade industrial do país, além de nosso setor de engenharia de construção”, acrescentou o secretário-geral da Câmara, Michel Alaby, que também fará parte da missão, assim como o vice-presidente de Marketing da entidade, Rubens Hannun.
De acordo com Alaby, a viagem deve ampliar a sensibilidade dos empresários brasileiros para as oportunidades de parcerias econômicas com companhias da região. Ele acrescentou que as empresas devem insistir no seguimento dos contatos feitos participando de feiras de negócios e outras missões.
Aproximação
A região tem sido alvo de especial atenção do governo e empresas brasileiras nos últimos anos, com o aumento do comércio, investimentos e assinatura de acordos. O próprio Miguel Jorge esteve no Marrocos em 2007 e, antes dele, o então ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, organizou uma missão comercial à Argélia em 2005.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já esteve duas vezes na região, e o chanceler Celso Amorim é interlocutor constante das autoridades de lá. Na área da promoção comercial, a Câmara Árabe todos os anos organiza ou participa de diferentes eventos no Norte da África, como feiras e missões empresariais. Dois exemplos são a Feira Internacional de Trípoli e a Feira Internacional de Argel.
Esses contatos diplomáticos e empresariais já resultaram, por exemplo, no início das negociações entre o Mercosul e o Marrocos para um acordo comercial. No primeiro semestre do ano passado, durante um giro pela região, o chanceler Amorim propôs o lançamento de uma iniciativa semelhante com a Argélia.
Algumas companhias brasileiras têm presença física no Norte da África. É o caso da Randon, das construtoras Odebrecht, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez, da Petrobras, entre outras.
Os quatro países que serão visitados tiveram boa média de crescimento nos últimos anos e, apesar de previsão de certo arrefecimento por causa da crise internacional, deverão continuar a crescer acima da média mundial em 2009 e 2010.
Países
Na Líbia, por exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,13% em 2008, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI). Trata-se do quarto maior país da África e tem a oitava maior reserva de petróleo do mundo. A indústria petrolífera é a principal atividade econômica, respondendo por 95% das exportações e por 25% do PIB.
Na seara comercial, as exportações brasileiras para lá renderam US$ 373 milhões em 2008, um aumento de 56% sobre 2007. Os principais itens embarcados foram minérios, carnes e açúcar. Na outra mão, o Brasil importou o equivalente a US$ 1,4 bilhão da Líbia, um crescimento de 40%, sendo que a pauta foi composta basicamente de petróleo e derivados. Nos últimos anos o país tem se tornado um importante fornecedor da commodity para o mercado brasileiro.
Já a Argélia é o segundo maior país africano e tem na produção de petróleo e gás sua principal atividade econômica. O setor responde por 98% das exportações e por 46% do PIB, que no ano passado cresceu 3,2%, de acordo com estimativa da Economist Intelligence Unit, área de análises econômicas do mesmo grupo de edita a revista britânica The Economist. A agricultura é também uma área importante, contribuindo com 10% do PIB.
As exportações do Brasil para a Argélia chegaram a US$ 632,5 milhões no ano passado, um aumento de 26% em comparação com 2007. Os principais produtos comercializados foram açúcar, carnes, óleo de soja, cereais – basicamente milho e trigo, veículos, autopeças e lácteos.
As importações de produtos argelinos somaram US$ 2,5 bilhões, um crescimento de 11,7%. Petróleo e derivados são de longe os principais itens da pauta. O Brasil tem tradicionalmente um déficit grande na balança comercial com a Argélia.
A Tunísia, menor dos quatro países que serão visitados, tem uma economia bastante diferente dos dois primeiros. Embora o país tenha reservas de petróleo e gás, é o setor de serviços, especialmente o turismo, que tem a maior fatia do PIB, 40%. A agricultura participa com 13% e a produção de fertilizantes é também uma atividade importante. A economia tunisiana cresceu 4,7% no ano passado, segundo estimativa da EIU.
As vendas brasileiras para a Tunísia somaram US$ 221,2 milhões em 2007, um aumento de 30,7% em relação ao ano anterior. As principais mercadorias exportadas foram açúcar, óleos vegetais, cereais, café, alumínio e carnes. As importações de produtos tunisianos chegaram a US$ 216,4 milhões, um crescimento de 78,8%. Os fertilizantes foram o principal item da pauta.
O Marrocos é um dos maiores produtores e exportadores mundiais de fertilizantes, e grande fornecedor do Brasil. O setor de serviços responde por 50% do PIB, principalmente por causa do turismo. Outras áreas importantes são a agricultura e a pesca. A economia do país cresceu 5,9% em 2008, de acordo com estimativa da EIU.
As exportações brasileiras ao Marrocos renderam US$ 511 milhões no ano passado, um aumento de 16,7% em relação a 2007. Os principais produtos embarcados foram açúcar, soja, veículos, autopeças, cereais e óleo de soja. As importações somaram US$ 1,14 bilhão, um aumento de 115%. Os fertilizantes responderam por boa parte desse total.

