Da redação
São Paulo – Começa na próxima segunda-feira (16) uma missão de cooperação do governo brasileiro ao Líbano, conforme a ANBA antecipou no mês passado. De acordo com informações divulgadas pelo Itamaraty, a delegação, que vai ficar no país árabe até o dia 18, terá como objetivo identificar áreas em que o Brasil pode contribuir no processo de reconstrução do país.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o auxílio do governo brasileiro foi solicitado pelo primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, quando da visita do chanceler Celso Amorim ao país árabe em agosto. De acordo com o chefe do departamento do Oriente Médio do Itamaraty, Sarkis Karmirian, a proposta de realizar uma missão surgiu durante a conferência de doadores para o Líbano, realizada em Estocolmo, na Suécia, também e agosto.
O ministério informa que a delegação vai ser chefiada pelo diretor da Agência Brasileira de Cooperação, embaixador Luiz Henrique Pereira da Fonseca, e terá representantes dos departamentos de promoção comercial e cultural do Itamaraty, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), da Caixa Econômica Federal e dos ministérios da Educação, Saúde e Minas e Energia.
Vão participar também representantes de empresas e entidades empresariais que têm vínculos com o Líbano, como é o caso da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, que será representada por seu diretor Mustapha Abdouni. Os objetivos, segundo o Itamaraty, são incentivar o comércio bilateral e identificar quais são as áreas prioritárias para investimentos.
Na avaliação da chancelaria brasileira, a Embrapa pode contribuir com sua experiência no desenvolvimento do plantio de frutas e da agricultura em regiões semi-áridas. O Senai, por sua vez, pode oferecer cursos de capacitação profissional em áreas como carpintaria, marcenaria e hidráulica.
Já o Ministério da Educação, segundo o Itamaraty, pode identificar possibilidades de cooperação na área de sua competência; a pasta da Saúde vai oferecer apoio para vigilância epidemiológica; e o Ministério das Minas e Energia pode dar assistência na instalação e operação de estações móveis de energia.
A Caixa Econômica, de acordo com o Itamaraty, tem condições de oferecer capacitação nos segmentos de desenvolvimento urbano, gerenciamento de resíduos sólidos, saneamento básico, políticas de habitação social e tecnologia bancária voltada para programas de transferência de renda.
Origem de muitos brasileiros
Pequeno país localizado no Oriente Médio às margens do Mediterrâneo, o Líbano é a origem da maior parte dos imigrantes árabes que vieram para o Brasil. Hoje os brasileiros de origem libanesa são mais numerosos do que a população do próprio país árabe, que gira em torno de 3,6 milhões de pessoas.
Segundo informações da Câmara Árabe, o Produto Interno Bruto do País (PIB) chegou a US$ 20,9 bilhões no ano passado. Suas principais indústrias são a alimentícia, química e têxtil.
As exportações brasileiras para o Líbano renderam US$ 123 milhões entre janeiro e setembro deste ano, um aumento de 34% em comparação com o mesmo período de 2005 Os principais itens embarcados foram bois vivos, carne bovina, café e castanha de caju.
Já as importações caíram, passaram de US$ 4,9 milhões nos primeiros nove meses do ano passado para US$ 1,8 milhão no mesmo período de 2006. As principais mercadorias importadas pelo Brasil até agora este ano foram resíduos de alumínio, máquinas para panificação e vegetais em conserva.

