Alexandre Rocha
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São Paulo – Mais do que conquistar novos mercados, o Brasil quer diversificar suas exportações para países que já são grandes importadores do agronegócio brasileiro. É com esse objetivo que o Ministério da Agricultura promove em junho uma missão comercial ao Egito, Argélia e Irã. Ontem (06) o Departamento de Promoção Internacional da pasta organizou em São Paulo uma reunião com empresas que pretendem integrar a delegação.
“São mercados onde o Brasil já tem uma boa penetração na área agrícola. No entanto, a pauta é muito concentrada em produtos como açúcar, carne e milho (no caso do Irã)”, disse à ANBA o diretor do departamento, Eduardo Sampaio Marques. “E eles são importadores de outros itens que nós temos condições de fornecer, mas não estamos vendendo no volume que poderíamos, como lácteos, ovos e até café”, acrescentou.
Nesse sentido, ele afirmou que nos três mercados a participação dos produtos do agronegócio brasileiro é superior à verificada no mundo como um todo, que é de 7%. No caso da Argélia, por exemplo, Marques informou que o Brasil tem uma fatia de 9%, mas o açúcar e a carne respondem por 80% de tudo o que é exportado. Mesmo nos lácteos, onde as vendas brasileiras têm crescido, a presença poderia ser maior.
Marques disse que a Argélia importou o equivalente a US$ 630 milhões em leite em pó em 2006, sendo que o Brasil participou apenas com US$ 54 milhões. No ano passado, as importações argelinas de lácteos somaram cerca de US$ 1 bilhão e a União Européia respondeu por metade disso. Ele citou outros produtos que o Brasil poderia ter uma participação maior como fornecedor, como o café verde (importações de US$ 152 milhões em 2006), milho (US$ 338 milhões em importações) e banana (US$ 53 milhões em compras externas).
No caso do Egito, Marques ressaltou que o ramo de supermercados está em crescimento no país e a participação do agronegócio brasileiro já é de 14% do mercado, mas, mais uma vez, muito concentrada em açúcar e carne bovina, havendo espaço para ampliar o comércio de outros produtos como do complexo soja (importações de US$ 340 milhões em 2006), milho (US$ 456 milhões em importações), leite em pó (US$ 105 milhões em compras externas), preparações alimentícias (US$ 45 milhões), maçãs (US$ 68 milhões), manteigas e queijos (US$ 115 milhões) e arroz (US$ 32 milhões).
A história se repete em relação ao Irã, para onde as exportações brasileiras estão concentradas em milho, soja e açúcar. Embora o agronegócio brasileiro tenha uma participação de 43% no mercado do país, esses três produtos representam 84% do total comercializado, havendo espaço até para mercadorias de exportação tradicional, como carne de frango.
Continuidade
Marques lembrou que o mercado internacional de alimentos está bastante aquecido e que há maior facilidade em exportar para esses países, já que eles não são auto-suficientes no setor e impõem poucas barreiras às importações. Ele ressaltou, no entanto, que o objetivo da missão não é apenas realizar negócios pontuais, mas garantir o estabelecimento de relações comerciais de longo prazo. Isso porque o Brasil tem condições de ampliar muito ainda sua oferta de alimentos.
Essa será a segunda ação do ministério focada no Oriente Médio. A primeira ocorreu no final de fevereiro, quando a pasta e a Câmara de Comércio Árabe Brasileira organizaram a participação de empresários na Gulfood, feira da indústria de alimentos que ocorreu em Dubai, e também promoveram uma missão institucional à Arábia Saudita.
Na reunião de ontem estavam presentes representantes de empresas de lácteos, ovos, queijos, massas, biscoitos e chocolates, carne bovina, frutas e commodities agrícolas, entre eles vários participantes da Gulfood.
O secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, que também esteve na reunião, destacou que a Argélia privilegia a importação de matérias-primas e produtos semimanufaturados para uso em sua própria indústria. Ele ressaltou que as taxas de importação para mercadorias acabadas variam entre 30% e 45% e, para produtos básicos e intermediários, entre 5% a 10%. “Há um espaço grande para trabalhar na Argélia”, ressaltou.
No caso do Egito, Alaby disse que há grande demanda não só por alimentos, mas também por máquinas e equipamentos agrícolas. “Eles querem também vender mais ao Brasil e têm, por exemplo, fertilizantes para fornecer”, disse. Ele destacou que o Egito é plataforma de exportação para outros países da região e de fora dela. Os egípcios têm, por exemplo, um acordo comercial com os Estados Unidos.
O assessor do Departamento de Promoção Internacional do ministério, Danilo Gennari, acrescentou que o Irã é um mercado em processo de abertura e que este é o momento do Brasil se apresentar como um parceiro comercial de confiança.

