Alexandre Rocha, enviado especial
Brasília – Além dos compromissos políticos assumidos, a cúpula dos países árabes e sul-americanos resultou também em novas oportunidades de envio de missões empresariais brasileiras aos países árabes. Durante o encontro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, se reuniu com vários líderes árabes para tratar do assunto.
Ele se encontrou, por exemplo, com o chanceler do Iraque, Hoshyar Zebari, e com o presidente do país, Jalal Talabani. De acordo com Furlan, durante as reuniões ficou definida a organização de uma missão econômica brasileira à Amã, na Jordânia, para se encontrar com empresários e membros do governo iraquiano e verificar as oportunidades de negócios existentes no país.
No primeiro dia da cúpula, Talabani havia convidado os demais países participantes a ajudar na reconstrução do Iraque e a enviar delegações para conhecer as oportunidades de investimentos existentes.
Na abertura do encontro empresarial, na segunda-feira, Furlan conversou com o secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), Abdul Ahman Bin Hamad Al-Attiyah. De acordo com o ministro, Al-Attiyah está "desenhando" a ida de missões empresariais brasileiras para os países do Golfo Arábico e a visita de delegações econômicas do GCC ao Brasil.
O GCC é formado por Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Catar, Omã e Kuwait, países cujos produtos internos brutos (PIB) somam US$ 436,6 bilhões, têm enormes reservas de petróleo e alta renda per capita.
Existe também a possibilidade de se organizar uma missão brasileira para a Argélia, com o objetivo de verificar as oportunidades existentes em vários setores. A idéia surgiu ontem pela manhã, quando Furlan levou o presidente argelino, Abdelaziz Bouteflika, para conhrecer carros bicombustíveis fabricados pela General Motors do Brasil.
De acordo com o ministro, Bouteflika demonstrou interesse pela tecnologia que permite usar tanto o álcool como a gasolina, pela indústria automobilística nacional e pela importação de etanol, inclusive com a possibilidade de troca do álcool combustível por mercadorias como nafta e gás natural liqüefeito, produzidos em abundância na Argélia.
Durante os encontros empresariais em Brasília, Furlan identificou também uma série de produtos que os árabes e sul-americanos estão interessados em importar mais do Brasil, como papel, veículos, bens de capital, projetos de construção civil, material de construção, açúcar, frutas, entre outros. Ele disse que há especial interesse por estes produtos na Síria, Líbano, Emirados Árabes, Iraque, Mauritânia, Argélia e Equador.

