São Paulo – A mineradora MMX, do empresário Eike Batista, anunciou nesta terça-feira (10) que assinou um memorando de entendimentos para negociar o Superporto Sudeste exclusivamente com a Mubadala, de Abu Dhabi, e a trading holandesa Trafigura nas próximas quatro semanas. Se o negócio for confirmado, as duas empresas irão emitir e comprar US$ 400 milhões em ações da MMX Porto Sudeste e assumir as dívidas bancárias para ter o controle de 65% desta empresa. O negócio prevê que Mubadala e Trafigura serão controladoras do porto, mas não da MMX.
Segundo comunicado divulgado ao mercado pela MMX, se o negócio for fechado, a MMX Porto Sudeste terá dinheiro para concluir a construção do porto, que fica no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, a MMX Mineração ficará livre de dívidas. O Superporto Sudeste terá capacidade de movimentação de 50 milhões de toneladas de minério de ferro por ano quando estiver pronto. Ele começou a ser construído em 2010 e, de acordo com a MMX, começará a operar no começo do próximo ano. O porto poderá ser ampliado e movimentar até 100 milhões de toneladas por ano.
O memorando de entendimentos também prevê que a MMX terá direito a movimentar até sete milhões de toneladas de minério de ferro por ano no novo porto e tem a opção de ampliar esse volume para 13 milhões de toneladas, desde que exerça este benefício até 30 de junho de 2015. O volume de minério de ferro movimentado pela empresa poderá crescer proporcionalmente se os novos controladores executarem o plano de expansão do porto. O documento prevê que a MMX terá a opção de adquirir uma participação acionária de 7,5% na empresa, além do percentual que já detém.
Outros negócios
Se concretizada a entrada da Mubadala no controle da MMX Porto Sudeste não será a primeira associação do fundo de Abu Dhabi com Eike Batista. Em 26 de março de 2012, a Mubadala anunciou um investimento de US$ 2 bilhões em troca de uma participação de 5,6% em uma holding do empresário que incluía participação indireta nas empresas de capital aberto do grupo, como a OSX, OGX, MMX, LLX e MPX. Participações nas companhias de capital fechado, ou seja, que não têm ações negociadas na Bolsa de Valores (AUX, REX e IMX), também foram envolvidas no negócio.
Este não foi o único anúncio feito nesta terça-feira por uma empresa de Batista. A companhia de energia MPX enviou um “fato relevante” à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que o empresário está negociando as suas ações na empresa. O comunicado afirma, porém, que por enquanto não há nada assinado. Do total de ações da MPX, a alemã E.ON controla 38%, o mercado outros 38% e Eike, 24%.
O empresário já foi o homem mais rico do Brasil e o 8º mais rico do mundo. Seus negócios começaram a perder valor em 2011, quando suas empresas não entregaram os resultados prometidos aos investidores. Neste ano Batista deixou de figurar na lista dos bilionários do mundo e passou a se desfazer do controle de algumas das suas empresas. Ele chegou a ter uma fortuna estimada em US$ 30 bilhões no ano passado, de acordo com a lista dos homens mais ricos do mundo da agência de notícias Bloomberg. Em agosto, a mesma Bloomberg afirmou que sua fortuna neste ano é de US$ 200 milhões.
Já a revista norte-americana Forbes, que apontava Batista como o 7º homem mais rico do mundo em 2012, tirou o empresário da lista de bilionários no começo deste mês. Nesta semana, uma das suas empresas, a petroleira OGX, cobra que ele injete US$ 1 bilhão na empresa. Ele questiona a decisão.
No pregão desta terça-feira da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), as ações da MMX registravam a maior desvalorização, com queda de 9,65% e eram cotadas a R$ 2,06.


