Cláudia Abreu
São Paulo – A indústria de moda do Brasil tem um grande potencial para elevar sua participação no mercado do Golfo Arábico, principalmente nos Emirados Árabes Unidos. Essa é a conclusão é de um estudo feito recentemente pela Câmara de Comércio Brasil-Árabe (CCAB).
Segundo dados do trabalho, o Oriente Médio participa, atualmente, com cerca de 5% do mercado de roupas e acessórios mundial, avaliado em aproximadamente US$ 205 bilhões. "Os Emirados são um dos maiores importadores desses artigos na região – compraram US$ 9,8 bilhões no ano passado. Em seguida vem a Arábia Saudita, como US$ 3,8 bilhões", explica César Liagi, analista de Comércio Exterior da CCAB.
A participação brasileira neste mercado ainda é modesta. Uma média de 0,2%, como mostra o estudo. O setor que mais se destaca é o de calçados. "Nesse segmento, os produtos brasileiros respondem, em média, por 3,1% do total importado pelos países do Golfo", diz Liagi.
Uma das empresas que está aproveitando essa oportunidade de negócios é a Bical, fabricante de calçados infantis de Birigui (SP). Este ano, a indústria pretende destinar até 30% das suas exportações para os países do Oriente Médio e Norte da África. As vendas aos árabes começaram em 2003.
O primeiro cliente foi um distribuidor da Arábia Saudita. Logo depois, a empresa passou a vender para Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã, Catar, Jordânia, Bahrein, Líbano e Egito. Esses países, segundo informações da empresa, já absorvem cerca de 20% das exportações da companhia.
Roupas
O vestuário também encontra terreno fértil entre os árabes. Um dos fatores que cria esta oportunidade, como aponta o estudo, são as grandes mudanças de hábitos de consumo da população local. O acesso à informação, a produtos e serviços de países de todo mundo e o intercâmbio cultural têm facilitado a entrada da moda internacional nas nações árabes.
Estilistas brasileiros estão, aos poucos, descobrindo esse mercado e, com isso, alavancando as exportações. Nos quatro primeiros meses do ano, o segmento vendeu o equivalente a US$ 79.442 às nações da Liga Árabe. Em 2004, no mesmo período, o número foi bem menor: US$ 59.557.
Nomes como Walter Rodrigues e Lino Villaventura já são bem cotados entre as mulheres árabes. Os modelos de Rodrigues, por exemplo, são encontrados em lojas de grifes como Harvey Nichols, na Arábia Saudita, e a Villa Moda, no Kuwait e nos Emirados. Essas lojas oferecem produtos de marcas famosas como Prada, Gucci e Yves Saint Laurent.
"Com exceção de alguns casos de peças com transparências, as roupas femininas exportadas são mantidas com decotes e estampas, da mesma forma como são comercializadas em outros mercados, como o europeu", afirma Liagi.
As mulheres árabes, mesmo as de religião islâmica, que na rua andam cobertas por grandes vestes, costumam ficar bem vestidas em casa. Os vestidos finos comprados dos brasileiros são mostrados na intimidade. Elas se vestem, exclusivamente, para o marido.
Moda praia
Em Dubai, nos Emirados, a moda praia brasileira é muito procurada, principalmente pelas européias e russas, mas algumas mulheres árabes, como as libanesas são grandes consumidoras. "Cores fortes e diferenciadas, e peças um pouco mais largas que as usadas pelas brasileiras são as mais vendidas", diz Liagi.
Uma das grifes que aposta nesse mercado é a Rosa Chá. Peças da grife brasileira já são comercializadas há cerca de quatro anos em boutiques multimarcas nos Emirados e no Líbano. Os compradores adquirem os artigos de duas formas: no show-room que a Rosa Chá tem Paris ou importam diretamente da fábrica, que fica em São Paulo. A empresa pretende abrir um distribuidor no Oriente Médio até o final do ano.

