Brasília – A crise em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com o pedido de moratória para a dívida da holding estatal Dubai World não tem um caráter sistêmico mundial, na avaliação do gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria, Flávio Castelo Branco.
Na quarta-feira (25), o mercado financeiro, ainda ressabiado com a crise financeira que se agravou no final do ano passado, soube do pedido da companhia de adiar até maio próximo o pagamento de compromissos com os credores, até agora conhecidos em quase US$ 60 bilhões.
Mas Flávio Castelo Branco vê na crise em Dubai um motivo para que se entenda que ainda é preciso superar problemas e fragilidades, como o excesso de valorização de ativos e empréstimos excessivos, que grassaram na economia até o ano de 2008.
Mesmo acreditando que o problema não causará a mesma turbulência da crise iniciada em 2008, Castelo Branco alerta que toda vez que um problema, mesmo que localizado, tenha magnitude, desagrada e cria receios no mercado financeiro, pois aumenta o risco das economias. De fato, hoje as bolsas da Ásia e da Europa de dos Estados Unidos abriram com instabilidade.
“Como se sabe o mercado tem intercomunicadores e, evidentemente, se se manifesta uma moratória, um problema de pagamento dessa magnitude, isso vai fatalmente criar um constrangimento para a recuperação de determinado setores e segmentos”, disse, referindo-se à crise em Dubai.
Todos os problemas que ocorrem nos Emirados Árabes, segundo ele, são reflexo da crise, com a supervalorização de ativos e o descompasso entre vendas e o momento atual, com certo encalhe de imóveis em Dubai, pois os preços caíram e desequilibraram os balanços das instituições.
Quando aos riscos da liberação de crédito no Brasil, o economista da CNI concorda com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que considera a expansão do crédito positiva no país, mas adverte que é importante estar atento aos critérios que as instituições financeiras devem obedecer para manter padrões sólidos de risco.
De acordo com Castelo Branco, Meirelles tem alertado, na verdade, para o risco a que toda expansão de crédito, às vezes fácil, leva. O que torna necessários determinados controles para não gerar créditos que eventualmente no futuro possam deixar de ser honrados.
“Isso foi a origem da crise americana. Facilidade do crédito no setor imobiliário e baixo custo do crédito. Embora o nosso não seja tão baixo assim, em comparação com outros países, historicamente está baixo para o Brasil”, disse.
Para ele, fica clara a posição do presidente do Banco Central, quando pede que o crédito seja usado de forma eficiente, contributiva para um crescimento sustentável a longo prazo, procurando evitar os problemas de carteiras mal conduzidas. E o sinal de Meirelles, lembra Castelo Branco, é apenas preventivo e com intenção educativa.

