Brasília – O presidente do Egito, Mohamed Morsi, disse nesta quarta-feira (08), em Brasília, em pronunciamento após reunião com a presidente Dilma Rousseff, que seu país quer ampliar o comércio e a atração de investimentos do Brasil. “As trocas comerciais precisam aumentar”, declarou. “Precisamos que o Brasil invista mais no Egito”, acrescentou.
Fomentar as relações econômicas entre os dois países é um dos objetivos da visita de Morsi ao Brasil. Na quinta-feira (09), ele participa de encontros com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Dilma, por sua vez, destacou que esta é a primeira visita de um mandatário egípcio ao Brasil. Ela ressaltou que o país é o maior destino das exportações brasileiras na África. “Temos de ampliá-lo (o comércio) e torná-lo mais equilibrado”, afirmou, referindo-se ao fato de que o Brasil acumula grande superávit na balança comercial com o Egito.
Na avaliação da presidente, o acordo de livre comércio que o Egito assinou com o Mercosul “vai abrir oportunidades para um intercâmbio cada vez mais diversificado”. O tratado, no entanto, ainda não foi ratificado pelos parlamentos dos países do bloco sul-americano.
Dilma disse também que, durante a reunião com Morsi, ficou definida a realização de uma missão comercial brasileira ao Egito ainda este ano. Na outra mão, uma delegação empresarial egípcia acompanha o presidente.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que participou da reunião, comentou que os egípcios “querem mais empresas brasileiras lá” e que eles “demonstraram interesse muito grande nos negócios com o Brasil”. “As perspectivas são muito boas”, afirmou.
Acordos
Outro ponto alto da visita foi a assinatura de acordos de cooperação. Os dois governos firmaram tratados na área agrícola, em desenvolvimento agrário, em desenvolvimento social, em políticas ambientais, entre a Biblioteca Nacional e a Biblioteca de Alexandria e de cooperação de técnica.
Dilma disse que o governo egípcio quer fortalecer a produção agrícola no país, daí os acordos nas áreas agrícola e de desenvolvimento agrário, inclusive com o desenvolvimento da produção de biocombustíveis. “A experiência do Brasil [neste setor] está colocada à disposição”, declarou.
Ela ressaltou que há também “grande potencial de cooperação” nas áreas de defesa, aviação civil e militar. A Embraer já teve no passado uma linha de montagem do avião militar Tucano no Egito e nos últimos anos vendeu jatos comerciais à EgyptAir.
“Podemos usar as experiências do Brasil em nossa região”, afirmou Morsi sobre os acordos assinados e ouras áreas passíveis de cooperação. “O Brasil pode apoiar muito o Egito em seu desenvolvimento, para sua justiça social”, acrescentou. Os programas sociais brasileiros são de especial interesse dos egípcios e ainda na tarde desta quarta-feira o presidente assistiu uma apresentação sobre os programas brasileiros de desenvolvimento social, após almoço no Itamaraty.
Ele acrescentou que o Egito tem interesse também na experiência brasileira na transição de uma ditadura para a democracia. Morsi foi o primeiro presidente eleito no Egito após 30 anos de regime de Hosni Mubarak, que renunciou em meio à Primavera Árabe. Já o Brasil vivou uma ditadura militar de 1964 a 1985, quando o poder no País voltou aos civis.
Multipolaridade
Os dois presidentes conversaram também sobre multilateralismo, especialmente a cooperação Sul-Sul. Dilma lembrou das cúpulas América do Sul-Países Árabes e América do Sul-África, das quais as duas nações participam e que “devem merecer nossa atenção”, e da coordenação em fóruns internacionais. “Devemos desenvolver nossas relações no âmbito dos Brics e demais fóruns”, afirmou a brasileira.
Morsi disse recentemente que gostaria que o Egito viesse a integrar no futuro o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, formando o E-Brics.
Dilma defendeu ainda a reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança, com maior participação de nações em desenvolvimento, incluindo árabes e africanas, e do Fundo Monetário Internacional (FMI), também com mais espaço para os emergentes. O Egito negocia um empréstimo de US$ 4,8 bilhões com o FMI.
“A cooperação Sul-Sul, entre os nossos países, é estratégica para o estabelecimento da multipolaridade”, destacou Dilma. Ela ainda agradeceu o apoio egípcio para a eleição do brasileiro Roberto Azevêdo para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ainda na política internacional, Morsi elogiou o apoio do Brasil à causa palestina e outras questões de interesse dos árabes. “Para nós isso é muito importante, respeitamos muito o Brasil por causa disso”, destacou.
Os dois presidentes defenderam a independência palestina e o fim do conflito civil na Síria por meio de uma negociação liderada pelos próprios sírios, com apoio de outros países do Oriente Médio e da comunidade internacional. “Enquanto não houver soluções para estas questões, não haverá estabilidade na região”, disse Morsi.
No almoço no Itamaraty, Dilma ofereceu um brinde para celebrar a “nova agenda de cooperação” entre os dois países, mas com suco de frutas, pois Morsi é muçulmano e não bebe álcool.
No almoço, estavam presentes ministros, diplomatas, políticos, empresários, entre outras personalidades. O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Marcelo Sallum, e o ex-presidente da entidade, Salim Taufic Schahin, participaram.
Ainda nesta terça-feira, estavam previstos encontros de Morsi com o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, e com ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

