São Paulo – De cada 100 empresas familiares, apenas 30 sobrevivem à passagem da primeira para a segunda geração, 12 para a terceira e somente oito chegam à quarta. A informação foi dada nesta terça-feira (14) pelo empresário e consultor Fernando Curado na palestra Governança Corporativa e Planejamento de Sucessão Familiar, realizada na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo.
“A transição acaba sendo traumática”, disse Curado. “Um exemplo é o das Indústrias Matarazzo”, acrescentou, referindo-se a um dos maiores conglomerados empresariais do Brasil no século passado, que não sobreviveu à passagem das gerações.
Daí a necessidade de planejar a sucessão e de aplicar na companhia boas práticas de governança corporativa, evitando que o negócio vire vítima de disputas familiares, de interesses pessoais de sócios ou cabide de empregos de parentes. “Pagar a conta de luz do filho não é tarefa da secretária do dono”, exemplificou.
Nesse sentido, uma sucessão bem feita, principalmente quando envolve muitos sócios, é aquela em que a empresa segue funcionando independentemente dos problemas familiares e ao mesmo tempo garante o sustento dos acionistas.
Isso passa pela escolha de executivos independentes, realização de acordo de acionistas, um contrato social que defina claramente os poderes dos sócios e os limites de gestão, processos transparentes, equidade no tratamento dos acionistas, prestação de contas aos sócios, estabelecimento de pré-condições para que parentes trabalhem na companhia, etc.
Curado contou as histórias de quatro empresas em que ele atuou no processo de sucessão, cada uma com características diferentes. “Cada caso é um caso”, afirmou.
Em uma delas, por exemplo, o proprietário, já idoso, não via entre os filhos candidatos à sucessão e pretendia vender o negócio. Os filhos, por outro lado, não queriam que o pai se desfizesse da empresa. O problema é que o sucesso da companhia girava em torno da figura do dono. “É preciso tirar a estratégia [empresarial] da cabeça do fundador e formalizá-la [como estratégia a ser seguida mesmo na ausência dele]”, declarou.
Outra questão importante, segundo ele, é a capacitação de filhos e netos para serem acionistas. Ou seja, mesmo que os herdeiros não venham a atuar diretamente na empresa, eles precisam ser educados a serem sócios cujas decisões podem afetar o patrimônio de toda a família. Isso inclui conhecer o negócio, ter noções de administração e saber quais são os direitos e deveres de um acionista.
A palestra foi acompanhada por empresários, advogados, consultores, diretores e funcionários da Câmara Árabe. A apresentação do evento foi feita pelo presidente da entidade, Marcelo Sallum, e pelo ex-diretor Mário Rizkallah, responsável pela organização de eventos do gênero.
Este ano a Câmara Árabe voltou a promover palestras regulares sobre diferentes assuntos, como já fez no passado. Em abril, o economista José Roberto Mendonça de Barros falou sobre as perspectivas para a economia brasileira e na seara internacional. No dia 04 de junho, às 19 horas, será a vez da consultora de recursos humanos Eline Kullock, que vai falar sobre a convivência de diferentes gerações dentro de uma mesma empresa.


