Alexandre Rocha
São Paulo – As importações brasileiras de algodão e derivados do Egito somaram US$ 2,95 milhões entre janeiro e agosto deste ano, um aumento de 2,6% em comparação com os US$ 2,87 milhões registrados no mesmo período de 2004. Com o objetivo de impulsionar este comércio, o escritório comercial do Egito em São Paulo promove a partir de hoje a Exposição do Algodão Egípcio no Espaço Câmara Árabe, local para eventos da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
O cônsul comercial do país árabe em São Paulo, Mohamed Bakri Agami, acha que o comércio pode ser ampliado com a eliminação de intermediários. Uma das metas do encontro é justamente colocar cara a cara os fornecedores egípcios com os compradores brasileiros. "Eu acredito que se nós fizermos um esforço para promover o algodão e mostrar para a indústria como comprar, podemos sim aumentar os volumes vendidos para o Brasil", disse.
Ele citou como exemplo uma empresa brasileira que compra cerca de 2 mil toneladas de algodão egípcio todos os anos, mas o faz por meio de um intermediário sediado em Londres. "Se as empresas ficarem sabendo que é possível comprar por um preço mais razoável, vão fazer isso diretamente", declarou. "Importar diretamente sai mais barato e a companhia pode comprar mais", acrescentou. Ao todo, produtos de 21 fornecedores egípcios vão ser expostos. Inicialmente 15 haviam confirmado participação. Serão exibidos o algodão do tipo Giza de fibra longa e extra longa, fios, tecidos e confecções.
Para Agami, o algodão egípcio não pode ser considerado uma ameaça para os produtores brasileiros da commodity. "O Brasil é um grande produtor, mas não há competição porque o algodão egípcio é de um tipo diferente, que não é produzido em nenhum outro lugar no mundo", afirmou. "A produção da indústria têxtil brasileira está aumentando e não dá para fabricar alguns tipos de produtos, de alta qualidade, com qualquer tipo de algodão", disse.
De acordo com a avaliação da Egyptian Traders Company, empresa de comércio exterior que pertence ao cônsul honorário do Brasil em Alexandria, Ashraf El Attal, há potencial de crescimento das exportações para o Brasil justamente por causa das características peculiares do algodão egípcio, segundo a companhia, "internacionalmente reconhecido por suas excelentes características físicas, a melhor fibra longa do mundo, pureza e homogeneidade, o que garante a fabricação de fios e tecidos de alta qualidade".
Equilíbrio
O embaixador do Brasil no Cairo, Elim Dutra, aprova a iniciativa como uma maneira de tentar equilibrar a balança comercial entre os dois países. "É importantíssimo ajudar o Egito a aumentar suas exportações para o Brasil", comentou. "Qualquer iniciativa neste sentido é muito boa, deveria até haver mais", acrescentou.
De fato, enquanto o Brasil exportou o equivalente a US$ 656,4 milhões ao país árabe entre janeiro a agosto de deste ano, as importações de produtos egípcios somaram apenas US$ 26,4 milhões no mesmo período. "Precisamos estimular mais os egípcios a visitar o Brasil e conhecer mais o mercado. Existem possibilidades também em vários outros setores", afirmou o diplomata.
Na avaliação do embaixador, os olhos dos empresários egípcios estão muito voltados aos Estados Unidos e à Europa, enquanto que o Brasil olha para o mundo árabe em busca de parcerias comerciais há tempos. Isso, de acordo com ele, explica o desequilíbrio na balança comercial. "Para eles a América Latina é uma novidade, que começou a surgir com mais força após a cúpula dos países árabes e sul-americanos", disse Dutra, referindo-se ao evento realizado em maio em Brasília.
Relevância social
Mais do que equilibrar a balança, vender a commodity tem para os egípcios uma enorme relevância social. O algodão é a primeira cultura de exportação do país e no Egito, ao contrário do que ocorre no Brasil, ele é cultivado em pequenas propriedades. Produzido principalmente no Delta do Nilo, na região Norte, o algodão responde por 12% do setor agrícola do Egito, que por sua vez emprega 40% da força de trabalho. Já a indústria têxtil emprega 1,2 milhões de pessoas.
Segundo informações da Associação de Exportadores de Algodão de Alexandria (Alcotexa), a área plantada com algodão no Egito gira atualmente em torno de 275 mil hectares. A produção prevista para a safra 2005/2006 é de 279 mil toneladas, sendo que na safra anterior a colheita foi de 295 mil toneladas. As exportações da temporada 2004/2005 chegaram, até o dia 27 de agosto, a 136,8 mil toneladas.
"Durante os últimos 10 anos, o governo do Egito vem promovendo ativamente a liberalização e a privatização da indústria do algodão. Os preços agora refletem os do mercado internacional e o setor privado passou a ter um papel importante, tanto internamente, como nas exportações. Muitas das estatais de beneficiamento, fiações e tecelagens de algodão foram privatizadas, enquanto a iniciativa privada criou novas unidades industrias. Como resultados dessas atividades, a indústria algodoeira se tornou mais competitiva e o algodão egípcio reconquistou muito de sua fatia no mercado internacional", informa a Egyptian Traders Company.
Serviço
Exposição do Algodão Egípcio
Programação
28/09 das 10 às 12 horas – abertura
28/09 das 12 às 18 horas – exposição
29/09 das 10 às 18 horas – exposição
30/09 das 10 às 16 horas – exposição
30/09 das 16 às 17 horas – encerramento
Local
Espaço Câmara Árabe
Avenida Paulista, 326, 11° andar
Informações
Câmara de Comércio Árabe Brasileira
Departamento de Marketing
Tel: +55 (11) 3283-4066
E-mail: marketing@ccab.org.br
Site: www.ccab.org.br

