São Paulo – O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que os países do Oriente Médio e Norte da África vão crescer 2,6% este ano, contra 2,3% em 2013, segundo o relatório Perspectiva Econômica Regional, divulgado nesta segunda-feira (27). A instituição avalia que o Produto Interno Bruto (PIB) do bloco poderá acelerar em 2015 para 3,9% “se as condições de segurança melhorarem”.
“A intensificação dos problemas de segurança, incluindo o aprofundamento dos conflitos no Iraque e na Síria, são fatores de risco para estas perspectivas. O impacto econômico regional foi limitado até agora, mas as cerca de 11 milhões de pessoas deslocadas já estão pressionando os orçamentos, o mercado de trabalho e a coesão social nos países vizinhos”, afirmou o diretor do Departamento do Oriente Médio do FMI, Masood Ahmed, segundo comunicado da instituição.
Os países que exportam petróleo deverão crescer 2,5% este ano, de acordo com o Fundo, ou seja, abaixo da média da região justamente pela situação de instabilidade em grandes produtores como a Líbia e o Iraque. O relatório avalia que o crescimento poderá acelerar para 3,9% em 2015, mas a deterioração das condições de segurança pode frustrar esta estimativa.
Além disso, o FMI recomenda contenção de gastos frente ao declínio dos preços do petróleo no mercado internacional. “Com as atuais políticas fiscais, os superávits fiscais dos [países] exportadores de petróleo deverão desaparecer até 2017”, destaca o relatório. “O declínio significativo de 20% nos preços do petróleo ao longo dos últimos dois meses aumenta ainda mais os riscos fiscais”, acrescenta.
Ahmed ressaltou que se as cotações da commodity permanecerem em baixa por muito tempo, o conjunto das nações exportadoras de petróleo da região poderá passar a ter déficit fiscal ao invés de superávit já no próximo ano. Nesse sentido, o Fundo recomenda a redução de gastos estatais. O grosso destas despesas vai para o pagamento de salários e para subsídios aos combustíveis.
A instituição lembra que o modelo de crescimento dos países exportadores de petróleo da região é muito dependente do aumento de gastos públicos, que nos últimos anos foram financiados pelo aumento do preço da commodity. O FMI recomenda a transição para um modelo mais diversificado e orientado ao setor privado.
Importadores
Entre as nações da região importadoras de petróleo, o Fundo aponta algumas “tendências positivas”, como a melhora das exportações, do turismo e do fluxo de investimentos estrangeiros diretos. O documento cita também progresso na redução dos subsídios aos combustíveis no Egito, Jordânia, Mauritânia, Marrocos, Sudão e Tunísia. A instituição recomenda a aplicação destes recursos em medidas de “apoio ao crescimento” e “redução da pobreza”, como programas sociais, investimentos em infraestrutura, saúde e educação. Parte destes países está usando uma parcela deste dinheiro para conter o déficit fiscal.
Apesar desta tendência, o Fundo ressalta que estas nações sofrem com tensões sociopolíticas profundamente enraizadas, gargalos estruturais e os efeitos dos conflitos em países próximos, o que as impede de atingir um nível de crescimento capaz de reduzir as altas taxas de desemprego.
O FMI avalia que os países importadores de petróleo da região vão crescer 3% este ano, número próximo ao registrado em 2013, e 4% em 2015. Os riscos mais significativos para estas nações são os reflexos dos conflitos, problemas nos processos de transição política decorrentes da Primavera Árabe e baixo crescimento econômico de parceiros comerciais.
O Fundo alerta ainda para a escalada do endividamento destes países. A demanda deles por crédito externo deverá chegar a US$ 100 bilhões no próximo ano.
“Para a maioria das pessoas da região, a melhoria do padrão de vida ainda não está sendo sentida, pois algumas reformas demoram a dar frutos”, disse Ahmed.


