São Paulo – O governo pretende usar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas 2016, que serão realizadas no Brasil, para dar um forte impulso ao turismo no País. Na primeira semana de janeiro, o Ministério do Turismo apresentou um levantamento com sugestões de 184 destinos para turistas estrangeiros que virão assistir ao Mundial de Futebol. Por outro lado, o Planalto estuda um pacote de medidas para incentivar o setor, especialmente na área tributária.
No primeiro caso, segundo o diretor de Estruturação, Articulação e Ordenamento Turístico do Ministério do Turismo, Ricardo Moesch, foram selecionados destinos nas áreas de ecoturismo e aventura, sol e praia, cultura e história e esportes. São locais que ficam relativamente próximos às 12 cidades-sede da Copa e que podem ser visitados entre um jogo e outro.
“São destinos prontos, que já são comercializados”, disse Moesch. Ele ressaltou, porém, que a lista é preliminar e que outros locais podem ser incluídos. Os destinos selecionados ficam a três horas de viagem por terra, ou duas de avião, das cidades-sede. De acordo com o ministério, eles terão prioridade no recebimento de recursos e nas ações de promoção.
Entre as atrações escolhidas estão Angra dos Reis, Búzios e Paraty, no Rio de Janeiro, as cidades históricas de Minas Gerais, Ilhabela, no litoral paulista, Foz do Iguaçu, no Paraná, Florianópolis, em Santa Catarina, a Serra Gaúcha, Pirenópolis, em Goiás, a Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso, Bonito, em Mato Grosso do Sul, Olinda e Fernando de Noronha, em Pernambuco, diversas praias do litoral nordeste, e locais no entorno de Manaus, no Amazonas.
A divulgação, segundo Moesch, deverá ser feita a partir deste ano por meio de uma rede de 150 mil agências de turismo ao redor do mundo, à qual o ministério tem acesso, por marketing eletrônico e pela participação em feiras do setor. Esse trabalho ficará a cargo do Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), órgão vinculado à pasta.
O governo pretende também divulgar uma lista de destinos indicados aos turistas brasileiros que vão viajar pelo País para assistir aos jogos. De acordo com o diretor, são esperados 600 mil visitantes estrangeiros e 3 milhões de viajantes brasileiros na Copa.
Na avaliação do vice-presidente de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Leonel Rossi, o número de locais listados pelo governo “é um pouco exagerado”. “Mas é preferível ter mais a ter menos”, declarou.
Ele afirmou que o público de Copa do Mundo é “aficionado” e que os espectadores “não terão tanto tempo assim” para visitar outros destinos além das sedes dos jogos. Rossi acrescentou que poucos turistas deverão permanecer no País durante toda a duração do Mundial e que a média de permanência em eventos do gênero é de 10 dias.
Para o executivo, é difícil promover tantos destinos ao mesmo tempo e a escolha dos lugares a serem visitados vai depender muito das agências e operadores que oferecerem os pacotes aos turistas. “Eles indicam em cada cidade quais são as atrações ideais”, ressaltou.
Ele acrescentou que esses pacotes são pagos com antecedência, o que significa, por exemplo, que o visitante não terá o dinheiro da estadia de volta caso decida passar noites em um local diferente do originalmente planejado.
Rossi acredita que os espectadores da Copa devem optar por passeios mais curtos, que possam ser feitos em apenas um dia, como uma visita a alguma cidade da Serra Gaúcha, para quem estiver em Porto Alegre, algum município histórico, para quem for a Belo Horizonte, ou o Guarujá, para quem se hospedar em São Paulo. Viagens mais longas, em sua opinião, podem ocorrer antes ou depois do Mundial.
Bondades
Na seara do pacote de bondades para o setor, pelo que foi divulgado até agora, são 14 medidas de incentivo em discussão no governo, entre elas a redução de determinadas tarifas aeroportuárias, desoneração tributária de combustíveis de aviação e de produtos utilizados em hotéis e flexibilização de regras trabalhistas para empregos cíclicos, como, por exemplo, vagas temporárias em hotéis e resorts durante o verão.
Na avaliação do vice-presidente da Abav, porém, a maior preocupação do empresariado no que diz respeito à Copa do Mundo e às Olimpíadas é a infraestrutura. Para ele, mais do que pagar um pouco menos, o turista quer desembarcar em um bom aeroporto e ter um sistema de transporte eficiente à sua disposição.
No que diz respeito aos tributos, segundo Rossi, a discussão principal deveria ser sobre a devolução de impostos pagos pelos estrangeiros nas compras feitas no País, sistema de “duty free shopping” existente em outros países. O visitante guarda as notas dos bens e refeições que pagou, as apresenta ao ir embora e recebe de volta os gastos com tributos incidentes sobre o consumo.
Para que a experiência dos visitantes durante os eventos esportivos seja positiva e renda frutos em termos de imagem por muitos anos, é preciso também investir nos serviços, como táxis e o atendimento em hotéis e restaurantes. “Já melhoramos [nessa área], mas temos que melhorar mais”, afirmou Rossi.
Em sua opinião, “podemos deixar uma imagem positiva ou negativa” nos visitantes com a Copa e as Olimpíadas. “Depende de nós”, destacou o executivo.

