São Paulo – As agriculturas brasileira e africana terão um novo espaço para troca de informações, cooperação e até negócios. E para isso ninguém vai precisar tomar aviões ou se deslocar da sua base. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Fórum para Pesquisa Agrícola na África (Fara) estão preparando uma plataforma virtual, chamada de Inova África, por meio da qual os governos, institutos de pesquisa e empresas ligadas ao agronegócio das duas regiões poderão conversar, compartilhar pesquisas, informações sobre mercados, criar fóruns de discussão e encaminhar negócios.
A informação é de José Luís Bellini Leite, membro da Embrapa-África, que fica em Gana, e coordenador do projeto na unidade. De acordo com ele, que é mestre em Gestão da Inovação Tecnológica e doutor em Economia, as conversas sobre a iniciativa começaram em maio deste ano, depois que a Embrapa foi procurada pelo Fara. O Fara também está sediado em Gana e congrega institutos de pesquisa agrícola da África. Ele trabalha, segundo o brasileiro, pela aproximação entre a pesquisa e o setor produtivo. O objetivo é tornar os resultados da pesquisa mais efetivos para a sociedade.
De acordo com Bellini, a idéia é envolver as três instâncias – governos, pesquisadores e iniciativa privada – e disponibilizar para eles um ponto de encontro virtual. “Economiza a logística de vir para cá (África) e ir para aí”, afirma o economista, reforçando que a medida torna o contato ágil e reduz custo. Cada parte envolvida terá um tipo de acesso. Algumas partes da plataforma serão restritas de acordo com o usuário. Os institutos de pesquisa, por exemplo, disponibilizarão suas informações sobre estudos e trabalhos. “Os 42 centros da Embrapa serão convidados a selecionar informações que possam interessar à África”, diz.
Os governos também poderão inserir na plataforma informações sobre mercados e linhas de financiamento, por exemplo. E as empresas e profissionais terão um local para disponibilizar seus produtos e serviços. Também haverá credenciamento, no site, para clientes interessadas nos produtos e serviços. Todos os usuários que estarão em espaços de interação serão cadastrados após passarem por uma triagem. Haverá a possibilidade, dentro do espaço virtual, de criação de redes para discutir determinados assuntos. A idéia é que a Embrapa e o Fara disponibilizem um ou dois profissionais cada para cuidar da plataforma.
Bellini acredita que a plataforma estará pronta até o final do ano. Ela não deve gerar muitos custos, segundo ele. A Embrapa já procurou assessoria dos empreendedores da Peabirus, uma plataforma de mídia social, e está sendo negociada a execução da parte técnica do projeto de forma gratuita. O economista da Embrapa explica que, além da plataforma virtual, o projeto conjunto com o Fara também terá uma parte física. A idéia é fazer, nas diferentes regiões da África, feiras ou fóruns nos quais empresas brasileiras e institutos de pesquisas da área agrícola possam mostrar seus produtos e serviços.

