Alexandre Rocha
São Paulo – O presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, disse hoje (13) que não existem fronteiras para a cooperação entre o Brasil e o seu país. "Não vou citar todos os setores em que é possível a cooperação entre o Brasil e a Argélia, mas eu digo que não há fronteiras para essa cooperação, porque o Brasil e a Argélia se entendem politicamente no que diz respeito ao essencial", afirmou Bouteflika, após se reunir com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e representantes de entidades setoriais brasileiras no Palácio dos Bandeirantes.
O presidente lembrou que, com uma corrente comercial que está próxima dos US$ 2,5 bilhões por ano, a Argélia é, em termos absolutos, o principal parceiro do Brasil no mundo árabe e o segundo no continente africano. "E temos a ambição de nos tornar também o principal parceiro na África", disse ele. "Eu falei em US$ 2,5 bilhões, mas na próxima visita com certeza vou mencionar o dobro ou o triplo desse número", acrescentou. Questionado pela reportagem da Agência de Notícias Brasil-Árabe (ANBA) quando pretende visitar novamente o Brasil, ele disse: "Quando você me convidar".
Embora os principais compradores do Brasil no mundo árabe sejam a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Egito, a Argélia é a maior fornecedora de petróleo para o mercado brasileiro entre os países árabes, o que faz com que a corrente comercial, que é a soma das exportações e das importações, seja maior.
No ano passado, o comércio entre os dois países somou quase US$ 2,3 bilhões, sendo que as vendas da Argélia renderam mais de US$ 1,9 bilhão e as exportações brasileiras, US$ 348,5 milhões.
Apesar de dizer que a cooperação não tem fronteiras, Bouteflika citou algumas áreas que considera importantes, como a agricultura, a indústria e o setor de ciência e tecnologia. "Vimos uma indústria extremamente dinâmica e esperamos aproveitar da experiência do Brasil nesse setor. Talvez possamos também tirar partido da experiência do Brasil nas áreas aeronáutica, espacial, de uso pacífico da energia nuclear e de medicamentos genéricos", declarou.
Durante o encontro, os governos da Argélia e do estado de São Paulo firmaram um protocolo de intenções que prevê cooperação em diversos setores, como agroalimentar, tecnológico, médico-hospitalar, odontológico, de gás, produtos farmacêuticos, turismo, projetos de construção civil e de comércio exterior.
O acordo prevê, entre outras coisas, a formulação de estratégias conjuntas para incentivar investimentos em tecnologia nos setores médico-hospitalar e odontológico; o estímulo para que empresas paulistas invistam no mercado argelino; a transferência de tecnologias na área farmacêutica; o intercâmbio entre universidades; a possibilidade de se estabelecer um centro de distribuição de produtos agrícolas e industriais na Argélia; a possibilidade de cooperação técnica para exploração de gás na Bacia de Santos; além da atuação conjunta em projetos de obras públicas.
"Hoje nós assinamos um protocolo entre o governo da Argélia e o governo do estado estabelecendo parcerias na área da educação, que é prioridade absoluta para o presidente Bouteflika, na área técnica, tecnológica e universitária. Conversamos sobre a questão do gás. A Argélia tem uma profunda experiência na questão do gás. Já São Paulo tem uma agricultura bastante desenvolvida. Enfim, temos um campos vasto de trabalho, complementaridade entre nossas economias e o comércio pode crescer muito", ressaltou Alckmin.
"O encontro empresarial está tendo uma grande participação de empresários árabes e brasileiros. Então eu acho que temos uma pauta de trabalho de grande benefícios para as nossa populações", acrescentou ele, mencionando o Encontro Empresarial Brasil-Países Árabes, organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira (CCAB), que aconteceu ontem e hoje.
Encontro produtivo
O presidente da CCAB, Antonio Sarkis Jr., que também participou da reunião, acrescentou que o encontro empresarial, que ocorre no hotel Renaissance, representa uma chance para os empresários árabes e brasileiros se conhecerem pessoalmente. "É o maior encontro empresarial entre o Brasil e os países árabes", afirmou. Ele lembrou ainda que a Câmara participa regularmente da Feira Internacional de Argel, levando empresas brasileiras, e garantiu a presença da entidade no evento deste ano.
Também participaram da reunião o secretário-geral da CCAB, Michel Alaby, o presidente do conselho da entidade, Walid Yazigi, o ministro das Minas e Energia da Argélia, Chakib Khelil, vários secretários do governo Alckmin e representantes brasileiros da indústria, agricultura, comércio e construção civil.
Do presidente da CCAB, Bouteflika e Alckmin receberam de presente exemplares do dicionário árabe-português organizado pelo professor Helmi Mohammed Ibraim Nasr, vice-presidente de relações internacioinais da Câmara, e do livro "A Técnica de Edificar", de autoria de Yazigi.

