Da Agência CNI
Florianópolis – A navegação de cabotagem no Brasil cresceu ao longo dos últimos anos e movimentou 360 mil contêineres de 20 pés em 2004. Em 1999, quando essa alternativa de transporte voltou a ganhar força no país, o total movimentado foi de 24 mil contêineres. O volume do ano passado evitou a presença de 500 mil caminhões nas rodovias brasileiras.
As informações foram divulgadas pela diretora da Navegação Vale do Rio Doce (Docenave), Cristiane Marsillac, durante o seminário "A Cabotagem no Contexto Logístico", realizado ontem (07) pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).
Entre as principais vantagens desse tipo de transporte estão a redução nos valores dos fretes e seguros, a menor ocorrência de avarias, a confiabilidade dos prazos, a redução dos riscos enfrentados nas rodovias, onde os roubos de cargas são comuns, e a queda na poluição.
O chefe da divisão de Transportes da Portobello, Wagner Munhoz, apresentou o caso da empresa, que entre janeiro e outubro deste ano embarcou, em média, 16 contêineres por mês via navegação de cabotagem. Com essa opção, a empresa vem registrando economia de 17% nos fretes entre sua fábrica, em Tijucas, e Salvador; de 21% até Recife; e de 26% até Fortaleza, na comparação com o modal rodoviário. "Com essa dimensão de mar que temos, é uma distorção na matriz de transporte usar caminhão para ir até Fortaleza", afirmou Munhoz.
Para Odair Ceschin, da Companhia de Celulose e Papel do Paraná (Cocelpa), além da redução dos valores do frete, o aspecto mais importante da cabotagem é a integridade da carga da empresa, no caso, bobinas de papel. Da produção vendida pela Cocelpa no mercado interno até setembro, 95% foi embarcada por cabotagem.
Mesmo assim, segundo a diretora da Docenave, esse tipo de transporte enfrenta uma série de obstáculos. Como exemplo das dificuldades, ela citou a baixa produtividade dos portos brasileiros, o difícil acesso aos terminais portuários, a falta de tripulação qualificada, a alta carga de impostos e taxas sobre o óleo combustível e a deficiência dos estaleiros. "Em Santa Catarina, nosso segundo maior mercado, os navios da Docenave ficam, em média, praticamente dois dias no porto, quando poderiam ficar atracados por apenas algumas horas", disse a executiva. Entre janeiro e setembro deste ano os navios da empresa esperaram 77 dias em Santa Catarina.

