Brasília – Faltando apenas quatro dias para o fim da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, negociadores de 192 países correm contra o relógio para chegar a um acordo, depois de um começo de semana tenso que levou até à suspensão temporária da reunião. As informações são da BBC Brasil.
Consultas informais entre os ministros que chefiam as delegações vão tentar destravar as negociações tanto para um acordo que inclua os Estados Unidos quanto para uma espécie de extensão do Protocolo de Quioto.
Nesta quarta-feira (16), os ministros darão espaço aos chefes de Estado que começam a chegar ainda nesta terça-feira (15) em Copenhague. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já embarcou com destino à Dinamarca.
Na segunda-feira (14), representantes de delegações africanas abandonaram as sessões de negociação, o que levou à suspensão temporária – por cerca de cinco horas – da reunião. Insatisfeitos, representantes do G77 exigiam que as negociações não se concentrassem exclusivamente em um novo acordo, mas sim em uma extensão do Protocolo de Quioto.
Alguns países em desenvolvimento temem que, ao abandonar Quioto, os países industrializados driblem compromissos já assumidos – como a redução de emissões de gases que provocam efeito estufa em 5,2%, em relação a 1990, até 2012 – e ao mesmo tempo queiram cobrar mais dos países emergentes.
Do ponto de vista dos países industrializados, existe o medo de assumir novos compromissos sob Quioto que possam pesar na economia, enquanto os Estados Unidos – que não ratificaram o protocolo vigente – escapariam mais uma vez.
Taxar os ricos?
O presidente Lula rejeitou a ideia de elevar taxas de produtos de países ricos que se recusarem a adotar metas de redução de gás carbônico. Ele descartou a proposta ao responder à pergunta de uma leitora na coluna semanal O Presidente Responde, publicada nesta terça-feira (15).
"Embora os países desenvolvidos estejam resistindo a adotar metas relevantes de redução da emissão de CO2, o Brasil não pode apelar para instrumentos comerciais ilegais. Nosso país deve respeitar os compromissos assumidos na Organização Mundial do Comércio. Elevar a tarifa sobre produtos provenientes somente dos países desenvolvidos consistiria em medida discriminatória", respondeu Lula à leitora que sugeriu o aumento das taxas pelo governo brasileiro.
Lula lembrou que o Brasil assumiu o compromisso voluntário de reduzir as emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 39,8% até 2020. Segundo ele, após o Brasil divulgar a meta os Estados Unidos e a China também apresentaram suas propostas de redução do gás.

