Dubai – No primeiro dia da Gulfood, maior feira da indústria alimentícia do Oriente Médio, que começou nesta segunda-feira (23) em Dubai, as empresas brasileiras já começaram a fechar negócios. Em menos de duas horas da abertura do evento, a companhia Vittal, fabricante de sucos e refrigerantes, fechou pedido de um contêiner para Dubai, com 66 mil latas de guaraná. Essa vai ser a primeira exportação da empresa para os Emirados Árabes.
As latas do refrigerante já estão etiquetadas em árabe e serão importadas por um distribuidor do país. De acordo com o consultor de exportação da Vittal, Khalil Fraig, os contatos com o distribuidor foram realizados pela primeira vez em Dubai nos Sabores do Brasil, evento promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). “Temos grande potencial nesse mercado. Todo mundo que prova gosta de guaraná, mas a maioria das pessoas aqui não conhece”, afirmou Fraig.
A Vittal, que fabrica quatro sabores de suco, como manga, pêssego, maracujá e uva, também produz chá gelado e envasa de água mineral. Ela está há 40 anos no mercado e começou a investir no mercado externo recentemente. “Nossa meta é destinar 70% da nossa produção para o mercado externo”, disse Fraig, que já exporta para Angola, Líbano e Estados Unidos. “O mercado árabe deverá ser o nosso maior mercado”, aposta o consultor. Segundo ele, o preço compatível ao mercado local, a qualidade dos produtos da empresa e a origem brasileira são os principais fatores que levam Fraig a apostar no mercado árabe.
Outra empresa que também concretizou negócios na feira foi a trading Pacific, representante de quatro fabricantes brasileiras de doces, bolos, biscoitos e torradas. A empresa vai embarcar para um distribuidor de Dubai um contêiner com 20 toneladas de caramelos. Essa é a segunda participação da Pacific na Gulfood. De acordo com o trader da empresa, Flávio de Paula, a feira é um ótimo evento para conhecer importadores de outras regiões fora do Oriente Médio, como países africanos, que são grandes compradores de doces.
Além do negócio realizado na feira, a Pacific fechou no evento Sabores do Brasil um pedido para Omã no valor de US$ 25 mil. Serão embarcados bolos, doces, biscoitos e panetones. Essa vai ser a primeira exportação da empresa para Omã, que já está presente na Líbia, Iêmen, Estados Unidos, África do Sul, Cuba, entre outros países africanos e do Mercosul. Atualmente, os Estados Unidos são o maior mercado da Pacific, mas a empresa aposta muito no mercado do Golfo Árabe. “Os empresários árabes conhecem pouco da indústria brasileira e agora, com o dólar valorizado, nosso preço está mais competitivo e mais interessante para as fabricantes brasileiras”, disse de Paula.
O diretor de exportação da trading Alliance Commodities, Marcos Goulart, encerrou o primeiro dia da feira com negócios encaminhados. “Devem ser formalizados amanhã”, disse ele, que trabalha com leite em pó, queijo, farinha láctea, achocolatados, leite condensado, entre outros. Todas essas empresas, com exceção da Vital, estão no estande organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira em parceria com o Ministério da Agricultura.
“Estou surpreso que a feira não está menos movimentada que no ano passado”, afirmou o diretor de promoção internacional de agronegócio do Ministério, Eduardo Sampaio Marques, que acreditava que por causa da crise teria uma redução no movimento da feira. “A percepção dos expositores brasileiros está muito boa”, acrescentou.
De acordo com Marques, o Brasil já tem uma forte presença no mercado árabe, mas ainda precisa diversificar sua pauta de exportações. “Eu aposto no setor de lácteos. O Brasil está virando um grande exportador e aqui é uma região de grande importação”, disse.
O secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, também imaginava que por conta da crise, o número de visitantes na feira seria afetado. “Mas não só o nosso estande como de outras empresas brasileiras estavam bem cheios. Surpreendeu as minhas expectativas”, disse.
Entre os visitantes árabes do estande da Câmara Árabe estava o gerente-geral do Al-Raqeeb Universal Group, Ali Z. Raqeeb, da Arábia Saudita. O grupo, que é importador e distribuidor para as principais redes de supermercados do país, ainda não importa do Brasil e tem muito interesse nos produtos brasileiros. Raqeeb procura água de coco, biscoitos, queijos e sucos.
Há 30 anos no mercado saudita, o grupo importa principalmente da Ásia, Grécia e Espanha. Entre os produtos distribuídos pela empresa estão enlatados, como carne, atum, sardinha, salgadinhos, biscoitos, arroz, condimentos, chás e macarrão.
Açaí para realeza
Expondo pela primeira vez na Gulfood, a Bony Açaí, do Belém do Pará, recebeu um contato inusitado no primeiro dia do evento. O gerente de operações do escritório do palácio real dos Emirados Árabes foi para a feira em busca de açaí para o príncipe Tahnoon Bin Zayed Al Nahyan, que tem aulas de jiu-jítsu com um professor brasileiro, que participa de grandes campeonatos mundiais de artes marciais, dos quais a Bony Açaí patrocina.
“Ele queria comprar todas as nossas amostras”, disse o fundador e CEO da empresa, Bony Monteiro. Segundo ele, essa pode ser uma grande oportunidade de negócio para a empresa. “Só do fato de uma celebridade procurar nosso produto já é maravilhoso”, afirmou.
A empresa, que está há cinco anos no mercado, exporta metade de sua produção, principalmente para os Estados Unidos. A principal parceira da companhia brasileira é a empresa norte-americana Monavie, maior fabricante de suco de açaí no mundo. A norte-americana compra a polpa brasileira através da distribuidora Earth Fruits, que já conseguiu abrir mercados para a brasileira na Ásia e está começando na Europa. “Essa parceria ajudou a Bony Açaí a crescer muito rápido e conquistar novos mercados”, disse o gerente da Earth Fruits, Marshall Snarr, que está na feira.
A Bony Açaí, que tem fazenda própria e também compra a fruta de pequenos produtores do Pará, tem uma produção diária de 50 mil quilos.
A Gulfood, que segue até quinta-feira (26), foi inaugurada pelo governador de Dubai e Ministro das Finanças dos Emirados, Hamdan Bin Rashid Al Maktoum.

