Geovana Pagel
São Paulo – Os instrumentos musicais brasileiros aceleram o ritmo das exportações. No ano passado, as vendas externas do setor dobraram e renderam mais de US$ 10 milhões. Além da qualidade, o baixo custo é uma das principais vantagens competitivas dos instrumentos nacionais, que custam cerca de dois terços do preço de produtos de outros países.
De acordo com dados da Associação Brasileira da Música (Abemúsica), hoje a indústria nacional, que faturou R$ 460 milhões em 2004 e gera cerca de 5 mil empregos diretos, vende para 40 países. Para 2005, a estimativa da entidade aponta para um crescimento de 40% nas exportações.
Os principais mercados de destino das vendas externas, que iniciaram tímidas há cerca de 15 anos, continuam sendo Estados Unidos e México. Países árabes, como os Emirados Árabes Unidos, estão entre novos mercados.
A Weril, fabricante de instrumentos de sopro, nunca exportou tanto quanto em 2004. No ano passado a venda de saxofones, trombones, tubas e outros instrumentos para o exterior atingiu 28% do faturamento da empresa, que é de cerca de R$ 8 milhões. Em 2005, a expectativa é ampliar este percentual para, no mínimo, 35%.
Com sede em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, a Weril gera mais de 200 empregos diretos. Para atingir reconhecimento internacional, nos últimos dois anos a Weril investiu R$ 3 milhões em tecnologia e infra-estrutura. Em 2002, nos Estados Unidos, num teste com músicos de olhos vendados, o "teste cego" promovido pela Associação Internacional do Trombone nos EUA, o trombone G. Gagliardi foi eleito um dos melhores do mundo.
"Cada país tem uma necessidade, mas a estratégia é a mesma em qualquer mercado: demonstrar que o instrumento Weril é o que reúne a melhor relação custo/benefício tanto para quem revende quanto para o músico ou cliente final, que adquire o produto na loja", explica diretor comercial da Weril, Roberto Weingrill Jr.
O reconhecimento entre alguns músicos estrangeiros já começou. Marcus Printup, trompetista, e Vincent Gardner, trombonista da Lincoln Center Jazz Orchestra, de Nova York, passaram a tocar exclusivamente com instrumentos Weril no ano passado.
Pioneira
A Giannini, fabricante de instrumentos de cordas há 104 anos, exporta há mais de quatro décadas. "Nossa empresa é a pioneira em exportação de instrumentos no Brasil", afirma Flávio Giannini, diretor de marketing da empresa.
Em 2004 as exportações da empresa cresceram cerca de 10%. As vendas externas representam 5% do faturamento, que não é divulgado pela empresa. A Oceania está entre os novos mercados importadores.
De acordo com o diretor, para atingir a meta de crescimento de 20%, num médio prazo, a empresa investe na participação em feiras como a NAMM, em Los Angeles, a Frankfurt Messe, na Alemanha, e na brasileira Expomusic.
A Giannini exporta para mais de 20 países, entre eles Estados Unidos, Canadá, Itália, França, Alemanha, Austrália e Irã. Os principais produtos comercializados fora do país são violões, craviolas e instrumentos étnicos como cavaquinhos e bandolins.
As vendas são feitas diretamente ou por meio de representantes na Europa, América do Sul e Estados Unidos. A empresa, localizada na cidade de Salto, no interior de São Paulo, gera 400 empregos diretos. Entre os músicos brasileiros patrocinados pela Giannini estão João Bosco, Toquinho, Roberto Menescal, Robson Miguel e Ulisses Rocha.
Violão nacional
Hoje existem no país 61 fábricas de instrumentos musicais e 44 fábricas de áudio e equipamentos como caixas de som e amplificadores. O faturamento da indústria nacional atingiu R$ 362 milhões, R$ 216 milhões com áudio e R$ 146 milhões com instrumentos.
Contatos
Abemúsica
www.abemusica.com.br
Weril Instrumentos Musicais
www.weril.com.br4
Giannini
www.giannini.com.br

