Alexandre Rocha
São Paulo – Os ministros das Relações Exteriores dos países árabes e sul-americanos vão se reunir em Marrakesh, no Marrocos, nos dias 25 e 26 deste mês, para tratar dos detalhes da cúpula dos chefes de estado árabes e da América do Sul, que vai ocorrer em 10 e 11 de maio em Brasília. Entre os objetivos da reunião ministerial está a discussão de pontos ainda pendentes da declaração final, que será debatida e provavelmente aprovada na cúpula.
“Temos um documento ainda preliminar, mas já avançamos bastante. O foco principal será a área econômica e comercial”, disse o ministro Ernesto Otto Rubarth, da subsecretaria-geral de assuntos políticos do Itamaraty. De acordo com ele, já há consenso entre os países em colocar as questões econômicas como tema central da cúpula. “Se todas as questões pendentes não forem resolvidas em Marrakesh, provavelmente elas já estarão muito adiantadas”, acrescentou.
A agenda oficial da reunião no Marrocos, segundo Rubarth, será definida pela Liga dos Estados Árabes, após consulta ao Brasil, que é o coordenador da cúpula pelo lado sul-americano. Mas, de acordo com ele, o debate sobre pontos da declaração final, a realização de eventos paralelos e a definição de questões de logística, com certeza estarão na pauta. Os temas sobre os quais os chefes de estado vão falar nas sessões plenárias também devem ser definidos em Marrakesh.
Na seara econômica, a declaração tem por objetivo fazer com que os participantes, todos países em desenvolvimento, assumam o compromisso de se articular melhor para atuar nos “grandes fóruns internacionais”, como a Organização Mundial do Comércio (OMC), e tomem posições semelhantes em temas de interesse geral, como acesso a mercados e a reforma do sistema financeiro internacional. “A idéia é fazer com que esse países atuem em sintonia”, disse Rubarth.
Outro ponto que deverá constar da declaração é o estímulo ao comércio bi-regional, com a adoção de ações, como a troca de informações econômicas e a realização de estudos de mercado, para que os empresários tomem conhecimento das oportunidades de negócios existentes em cada país.
“O conhecimento recíproco ainda não é tão intenso. Com estas ações, a intenção é permitir, por exemplo, que um empresário da Argélia que queira fazer negócios no Peru, ou uma empresa do Iêmen que quer negociar na Venezuela, ou um brasileiro que procure negócios na Arábia Saudita, saibam mais sobre os países, tenham a possibilidade de conversar um pouco mais e identifiquem oportunidades de negócios”, afirmou Rubarth.
Empresários e cooperação
Nesse mesmo sentido, ainda em Marrakesh, os chanceleres vão discutir a organização dos encontros empresarias que serão realizados simultaneamente à cúpula em Brasília. A princípio será promovido um seminário sobre o perfil macroeconômico das duas regiões e uma feira de investimentos. As atividades paralelas vão começar no dia 09 de março e terminam no dia 11.
Segundo Rubarth, cada país terá direito a um estande de 25 metros quadrados, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, para divulgar projetos que possam atrair investimentos externos e as oportunidades de negócios existentes.
Dentro da declaração, outro assunto que vai merecer destaque, de acordo com o diplomata, é a cooperação nas áreas cultural, científica e tecnológica. Nesta parte serão aproveitados, por exemplo, os resultados do seminário sobre o semi-árido e recursos hídricos que foi realizado em Fortaleza, no Ceará, no ano passado. Participaram do evento 14 especialistas dos dois blocos.
“A declaração, com a aprovação dos chefes de estado, vai dar o respaldo político para que a cooperação nesse campo possa ser implementada. A partir de então, órgãos como a Embrapa e seus congêneres nos outros países podem começar a discutir projetos específicos”, declarou Rubarth. O documento também deverá contemplar alguns temas políticos que fazem parte da agenda internacional.
Na cidade marroquina os ministros vão definir ainda detalhes de infra-estrutura da cúpula, como horários e locais dos eventos, medidas de segurança, cerimonial, etc.
Realidade sul-americana
Também em Marrakesh, no dia 23, será realizado um seminário sobre “a realidade da América do Sul”, focado principalmente em aspectos culturais do continente. De acordo com Rubarth, será um evento acadêmico que vai abordar assuntos como a formação dos países sul-americanos, os processos de integração históricos e atuais e a contribuição da imigração árabe para a formação da sociedade sul-americana.
O encontro será semelhante ao que foi realizado em São Paulo, em setembro de 2004, mas que tratou da realidade dos países árabes.
Antes da cúpula, já em Brasília, serão realizadas nos dias 08 e 09 de maio, um encontro de “altos funcionários” dos países envolvidos e uma última reunião de chanceleres para acertar os detalhes que, eventualmente, ainda estiverem pendentes.

