Isaura Daniel
São Paulo – A produção brasileira de etanol foi mencionada na maioria das palestras feitas ontem (23) durante o Workshop Internacional do Etanol, que ocorreu em Cartum, capital do Sudão. A informação é do coordenador de operações da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rodrigo Solano, e do analista de Desenvolvimento de Mercados, Jean Gonçalves da Silva, que participaram do encontro como convidados e que estão no país árabe para a Feira Internacional de Cartum, que começa hoje (24).
De acordo com Solano, o Brasil foi mencionado como exemplo em produção de etanol pelo ministro da Indústria do Sudão, Galal Yyosif Al Degair, que fez a abertura do workshop. O diretor-executivo da Organização Internacional do Açúcar (ISO), Peter Baron, também citou o Brasil como um dos países que está desenvolvendo novas tecnologias na área e afirmou que o país é o único que tem condições de exportar etanol no momento. Ele relatou como é a distribuição de álcool no Brasil por meio dos postos de combustíveis.
Baron afirmou também que será difícil para novos países produtores competirem com o Brasil no mercado internacional do álcool, já que o país consegue vender o litro do combustível por US$ 0,25, enquanto os outros pedem US$ 0,30. O diretor-executivo da ISO, que também trabalha na Inglaterra para a Kenana Sugar Company, maior açucareira do Sudão, citou, como países que estão investindo em etanol, Brasil, Índia, Tailândia, China, Colômbia, Argentina, Venezuela, Filipinas, Paquistão, África do Sul, Quênia e Uganda.
Baron também lembrou que o Brasil é o maior consumidor de etanol no mundo e fez projeções para 2010. De acordo com ele, o país estará consumindo 27 bilhões de litros de etanol. No ano passado, o Brasil consumiu 14 bilhões de litros. Os Estados Unidos, que consumiram 14,7 bilhões em 2005, deverão passar para 25 bilhões em 2010. A União Européia sairá de 1,5 bilhão para 14 bilhões, a China de um bilhão para cinco bilhões e o Japão consumirá seis bilhões. O diretor-executivo citou a criação brasileira do motor bicombustível, conhecido como flex-fuel.
Etanol no Sudão
O Sudão promoveu o seminário porque está interessado em ser um produtor de etanol. Já há projetos e experimentos na área, a maioria sendo levado adiante pela Kenana, empresa sudanesa de capital estatal e privado que já produz açúcar em larga escala. As iniciativas fazem parte, segundo o ministro Al Degair, da busca do país por energias alternativas. O Sudão também é um produtor de petróleo. O país aderiu ao Protocolo de Kyoto, compromisso mundial com a redução da emissão de poluentes, em fevereiro de 2005.
De acordo com Solano, os sudaneses estão bem informados sobre o etanol brasileiro e há espaço no país para formação de parcerias na fabricação do produto. "Eles estão bem motivados para isso. Estão preocupados com a adoção de energias verdes e com a redução da dependência do petróleo", afirma o coordenador de operações da Câmara Árabe. O seminário foi promovido pelos ministérios da Indústria e de Energia e Mineração, além da Kenana. Os representantes da Câmara Árabe devem fazer uma visita às instalações da empresa no final desta semana.
Feira
A Feira Internacional de Cartum, que também é organizada pelo governo do Sudão, começa hoje e segue até o dia 02 de fevereiro. A Câmara Árabe terá um espaço na feira para promover as exportações brasileiras e as relações do país com o Sudão. Várias empresas nacionais enviaram catálogos e amostras de seus produtos para serem expostas no estande.

