Marina Sarruf
São Paulo – Para estrear o calendário de feiras de 2006, a Câmara de Comércio Árabe Brasileira vai participar pela primeira vez da Feira Internacional de Cartum, no Sudão. "É um país com um potencial muito grande, principalmente nas áreas de construção e maquinário agrícola", afirmou o presidente da Câmara Árabe, Antonio Sarkis Jr.
A mostra, que será realizada entre os dias 01 e 10 de fevereiro, é multissetorial. De acordo com o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, a feira representa uma oportunidade para os empresários brasileiros conhecer o mercado sudanês. "O Sudão é um país que tem condições de crescimento muito grande em função da produção do petróleo", disse.
Segundo Alaby, que participou em novembro de um fórum econômico árabe-europeu no Sudão, as exportações de petróleo do país árabe giram em torno de 500 mil barris por dia, mas o governo local estima que elas vão chegar a 2 milhões de barris diários em 2008. "A economia do Sudão cresceu 9% em função do petróleo", afirmou.
A Câmara Árabe vai contar com um estande institucional na feira que, no entanto, poderá ser utilizado por empresários brasileiros interessados em conhecer o mercado. "Os empresários brasileiros poderão usar o estande como base para explorar a feira e o mercado sudanês e como ponto de encontro de negócios", explicou o coordenador de operações da entidade, Rodrigo Solano, que estará no evento.
Os sudaneses têm especial interesse em mercadorias brasileiras como leite em pó, milho, proteína de soja, tratores, caminhões, jipes, material de construção, equipamentos médico-hospitalares, entre outros. Segundo Alaby, o Sudão é carente em uma série de produtos e serviços.
Exportar para os árabes
Uma das empresas brasileiras que já confirmou presença na feira do Sudão é a catarinense Plasvale, fabricante de utensílios domésticos de plástico, como recipientes para microondas, baldes, bacias, lixeiras, entre outros. "Vamos conhecer o país, prospectar mercado e buscar parcerias", afirmou o trader da companhia, Pablo Zettermann da Fontoura.
De acordo com ele, a meta da Plasvale este ano é entrar no mercado árabe. "A feira do Sudão será o caminho de entrada para a região", disse Fontoura, que foi contratado justamente para prospectar mercados africanos e do Oriente Médio. No ano passado, representantes da empresa visitaram a Houseware and Homestyle, feira de produtos de utensílios domésticos em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
"As exportações brasileiras estão crescendo cada vez mais para os países árabes, por isso o nosso interesse em entrar nestes países", disse Fontoura. Os planos para este ano são participar também da Feira Internacional de Argel, na Argélia, e visitar feiras no Egito, Marrocos, Líbia e Arábia Saudita. "Acredito que nosso produto terá boa aceitação nestes mercados, mesmo com a forte concorrência dos produtos chineses, porque temos um preço parecido e uma qualidade superior", afirmou.
A China, atualmente, é uma das principais concorrentes dos produtos brasileiros no mercado árabe. Isso ocorre por causa dos baixos custos da mão-de-obra chinesa e pelo país ter uma política exportadora agressiva.
A Plasvale produz mais de 300 tipos de produtos e exporta para cerca de 40 países. Com uma produção de 500 toneladas por mês, sendo 10% destinado para o mercado externo. "Queremos elevar para 30% as exportações este ano e apostamos no mercado árabe para isso", disse Fontoura.
Sudão
O país árabe está localizado no nordeste da África e conta com mais de 2,5 milhões de quilômetros quadrados de área. O Sudão é o maior país da África e tem uma população de 34,3 milhões de habitantes. Além dos recursos naturais existentes no país, existe uma crescente participação de capital estrangeiro em projetos de infra-estrutura, reconstrução e desenvolvimento. É um dos países árabes que mais recebe investimentos.
De janeiro a novembro de 2005, as exportações brasileiras para o Sudão aumentaram em 27,8%. As vendas externas para o país árabe renderam US$ 61,5 milhões. Entre os principais produtos embarcados estão tratores rodoviários, açúcar, fumo, máquinas agrícolas e automóveis. Já as importações do Brasil somaram US$ 70,5 mil nos primeiros 11 meses de 2005, uma queda de 62,3% em relação ao mesmo período de 2004. A goma arábica e frutas secas são os principais produtos importados.
As empresas que tiverem interesse de participar da feira deverão entrar em contato com a Câmara Árabe.
Contato
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