São Paulo – As atividades econômicas dos Emirados Árabes Unidos não ligadas à indústria petrolífera podem crescer 4,2% este ano, após um avanço de 3,8% em 2012, de acordo com relatório divulgado nesta terça-feira (30) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). “Uma recuperação mais ampla da [indústria da] construção e do ramo de imóveis, e a continuidade do crescimento de setores orientados ao turismo deverão sustentar uma maior aceleração do crescimento não petrolífero”, diz nota do Fundo sobre a conclusão da Consulta do Artigo IV, que é uma discussão periódica entre técnicos da instituição e representantes de países membros sobre as políticas econômica e financeira da nação.
A avaliação mostra que as atividades não ligadas ao petróleo vêm ganhando cada vez mais força no país, que investe na diversificação da economia para reduzir sua dependência da commodity. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Emirados cresceu 4,3%, segundo o relatório, com um avanço de 5,2% no setor petrolífero e de 3,8% nas demais áreas. Para 2013, além de apostar numa aceleração dos segmentos não petrolíferos, o FMI estima que haverá uma redução no avanço da produção de petróleo, frente ao cenário econômico global de baixo crescimento.
Outro indicador da força dos setores não petrolíferos é o superávit em conta corrente registrado pelo país no ano passado, de 17% do PIB, resultado não só das vendas externas da commodity, mas “também apoiado por crescentes exportações não ligadas aos hidrocarbonetos”. Só para efeito de comparação, o Brasil registrou déficit em transações correntes de 2,4% do PIB em 2012.
Este quadro deverá se manter para além deste ano. De acordo com o FMI, o avanço das atividades não petrolíferas deverá seguir “forte”, acima de 4% ao ano no médio prazo. O Fundo acrescenta que o crescimento econômico não tem gerado pressão inflacionária. A taxa ficou em apenas 0,7% em 2012 e deverá aumentar “moderadamente” em 2013.
Riscos
Estas estimativas podem ser frustradas, porém, por riscos externos, pois um agravamento da situação da economia mundial pode afetar diretamente algumas das principais atividades dos Emirados, como as exportações de petróleo, o turismo internacional e o comércio exterior em geral.
Mesmo atividades locais estão sujeitas ao humor do capital externo. O Departamento de Terras de Dubai, por exemplo, divulgou, nesta terça-feira também, que o setor imobiliário do emirado recebeu US$ 14,42 bilhões em investimentos no primeiro semestre, sendo que US$ 8,7 bilhões, ou mais de 60%, vieram de investidores estrangeiros não árabes.
O Fundo destaca, no entanto, que estes riscos externos diminuíram, embora ainda sejam “substanciais”. O crescimento dos setores não ligados ao petróleo nos próximos anos deverá se sustentar no “núcleo forte do setor de serviços” de Dubai e “nos esforços de diversificação” de Abu Dhabi.
O FMI recomenda a adoção de políticas para evitar a formação de “bolhas”, como a que estourou no setor imobiliário no rastro da crise financeira internacional de 2008. Nesse sentido, o Fundo observa que o endividamento de Dubai e das empresas ligadas ao governo do emirado continua alto e que vencimentos “significativos” vão ocorrer de 2014 a 2018, incluindo da dívida reestruturada a partir da crise. Nesse sentido, a instituição diz que estas companhias vão continuar a enfrentar “desafios financeiros”.
A empresa mais afetada na época foi a incorporadora Nakheel, responsável por vários dos megaprojetos imobiliários de Dubai, e junto foi o conglomerado Dubai Holding, do qual ela fazia parte. A companhia baixou uma moratória das suas dívidas e posteriormente renegociou prazos e valores com os credores. Isso provocou uma redução profunda nas atividades do ramo imobiliário, que nos anteriores havia sido uma das principais vitrines do emirado.
A instituição alerta que muitas das companhias ligadas ao governo de Dubai continuam “não transparentes”, o que dificulta o exame da saúde financeira delas e dos riscos macroeconômicos associados a elas. Ao mesmo tempo, porém, o Fundo ressalta que estas empresas e os bancos de Dubai estão cada vez mais retomando o acesso aos financiamentos internacionais “num ambiente de alta liquidez global e de busca por rendimentos”. A Fundo recomenda cautela no uso destes recursos em grandes projetos imobiliários e de turismo para evitar uma nova bolha.


