Marina Sarruf
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São Paulo – Há cinco anos, a bailarina e professora de dança do ventre Adriana Almeida buscava uma roupa diferente para dançar, mas como não achou nada que a agradasse resolveu dar uma de estilista. E foi assim que a carioca Adriana deixou de ser professora para se tornar empresária. Atualmente, as roupas de Adriana, além de satisfazerem o gosto de suas clientes, ajudam também no orçamento de mulheres carentes do Rio de Janeiro.
"Eu desenho as roupas e terceirizo o bordado. As bordadeiras são mulheres da periferia que trabalham dentro de suas próprias casas", afirmou Adriana. Segundo ela, suas criações são repletas de bordados, o que demanda muito trabalho. "São saias, cinturões e sutiãs repletos de bordados. Usamos muitos vidrilhos, canutilhos e miçangas", acrescentou.
No momento, Adriana conta com a ajuda de cinco bordadeiras, mas como sua idéia é ampliar os negócios, ela já está de olho em novas mulheres. "Pretendo entrar em contato com uma ONG aqui no Rio para treinar novas mulheres. É uma foram de ajudá-las também", disse. Segundo Adriana, algumas bordadeiras têm apenas o primeiro grau completo e são elas que sustentam a casa. "Elas ganham por produção", afirmou.
Até o ano passado, Adriana ainda trabalhava na própria casa, onde atendia suas clientes e criava seus modelos. Agora ela já tem um ateliê, um logotipo para a empresa, que leva o seu nome, e em breve terá um site. "Não quero mais ser um fundo de quintal, quero ser uma micro empresa", disse. Sua produção gira em torno de 30 peças por mês e os preços das roupas variam de R$ 150 à R$ 1,5 mil. Além de saias, tops e cinturões, Adriana também produz macacões de dança e algumas roupas para danças árabes folclóricas.
"Amo criar. Acredito que a dança do ventre resgata a feminilidade e a auto-estima da mulher. É um prazer trabalhar com isso", disse Adriana, que já vendeu roupas para outros estados brasileiros, como São Paulo, Rio Grande do Sul e Tocantins, e até para outros países, como México, Espanha e Estados Unidos. Adriana conta que nunca viajou para outros países para vender seus produtos, foram pessoas que passaram pelo Rio de Janeiro e fizeram pedidos. "Ainda não tenho produção para exportar e nem para atender outros estados. Primeiro quero conseguir atender a demanda do Rio", acrescentou.
Adriana garante que suas roupas não são compradas para serem utilizadas como fantasias, e sim por bailarinas profissionais. Suas roupas já foram usadas por uma das bailarinas de dança do ventre mais famosas do Brasil, Lulu Sabongi, que já fez várias apresentações no mundo árabe. "Uma vez ela me pediu uma roupa para usar numa apresentação no Memorial da América Latina (em São Paulo)", disse Adriana.
Cada roupa criada por Adriana é desenhada e elaborada em conjunto com a bailarina. "É um trabalho bem artesanal", disse. Segundo ela, não existem muitos livros ou documentos árabes que ensinam a criar as roupas de danças árabes. No início, ela utilizou um livro norte-americano que ensinava a produzir roupas de dança, mas de acordo com ela, o livro só ajudou para lhe dar uma base. "Vejo os modelos e fotos das roupas pela internet. Faço muita pesquisa. Converso também com algumas bailarinas egípcias que vêm para o Rio e outras brasileiras que dançam em países árabes. É em cima disso que vou criando", afirmou.
Adriana ainda não conhece nenhum país árabe, mas sonha em conhecer o Líbano, Egito e Tunísia. Segundo ela, quem sabe um dia suas roupas podem ser comercializadas na região. "No Líbano e no Egito tem muita produção, mas acho que a minha roupa seria vista com uma novidade, uma alternativa talvez."
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Adriana Almeida Atelier
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