Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – O Egito não é apenas berço de uma civilização milenar. Segundo arqueólogos e historiadores, foi ali, há milhares de anos, que surgiu o perfume. Pois O Boticário, indústria de perfumes e cosméticos situada em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, acaba de abrir uma loja no país dos faraós. "O Oriente Médio apresenta-se como um mercado com excelente potencial de expansão para o setor de cosméticos", declara Roberto Neves, gerente de Marketing Internacional da empresa.
O estabelecimento aberto na capital egípcia, além de apresentar a marca para novos consumidores no país, será utilizado como escritório central para distribuição dos produtos nas regiões do Norte e Nordeste da África. Neves prefere não precisar quanto foi investido no Cairo, mas atesta que a abertura da loja, em julho deste ano, é sinal de que há interesse na região. "Em breve teremos mais novidades no Oriente Médio", afirma.
Além do Cairo, O Boticário tem uma loja e 30 pontos-de-venda na Arábia Saudita (onde pretende abrir mais duas até o fim de 2005), 20 pontos-de-venda nos Emirados Árabes Unidos e 60 na Jordânia. Outro caminho que a empresa vem trilhando para aumentar a presença nos países árabes é a distribuição em redes de perfumaria e a instalação em lojas de departamento, com corners e áreas exclusivas.
A conquista da região foi precedida de pesquisas de mercado. "Antes de abrirmos nossa loja de Riad experimentamos o mercado local por dois anos. Identificamos a existência do potencial de crescimento e estabelecemos uma parceria com um investidor local. Estamos fazendo isso em outros países da região e, em breve, teremos novidades em alguns países", conta o gerente. De acordo com ele, há uma preferência das consumidoras árabes pela linha de maquiagem.
No exterior, O Boticário conta, hoje, com um total de 59 lojas em 23 países. O plano de internacionalização da empresa consumiu um investimento de cerca de US$ 43 milhões nos últimos anos. No Brasil, a marca tem 42 lojas próprias. Somadas às franquias, o número sobe para 2.328 pontos-de-venda. No ano passado, o faturamento bruto da indústria chegou a cerca de US$ 240 milhões, com a produção de 55 milhões de unidades.
Egípcios foram os pioneiros
O relacionamento dos egípcios com as fragrâncias e aromas começou há cerca de quatro mil anos e, em seu nascedouro, tinha um forte componente religioso. Eles descobriram que se uma substância aromática fosse mergulhada em óleo, este tornava-se perfumado. A técnica passou, então, a ser utilizada na preparação de oferendas simbólicas aos deuses, pois a fragrância no óleo perfumado durava mais tempo que o incenso.
Só que muito cedo os sacerdotes perceberam que seria possível obter bons lucros preparando perfumes também para os homens. Assim, eles acabaram, aos poucos, transformando seus templos em autênticos laboratórios de perfumaria. Os primeiros clientes foram os faraós e os membros importantes da corte, mas o uso do perfume logo se difundiu.
De acordo com os historiadores, a necessidade de contar com essências refrescantes e perfumadas tornou-se tão fundamental que a primeira greve da história da humanidade, em cerca de 1.330 A.C., foi protagonizada pelos soldados do faraó Seti I, que simplesmente pararam de fornecer-lhe ungüentos aromáticos. Pouco depois, em 1.300 A.C., o faraó Ramsés II teve de enfrentar uma revolta de peões em Tebas, indignados com a escassez das rações de comida e ungüentos.
Professores talentosos, os egípcios divulgaram seus conhecimentos de perfumaria aos assírios, babilônios, caldeus, hebreus, persas e gregos. Então, cada cultura desenvolveu suas próprias variedades de fragrâncias, de acordo com os ingredientes disponíveis localmente.
* Federação das Indústrias do Estado do Paraná

