São Paulo – O ramo de produtos de beleza e higiene pessoal está entre os que mais crescem no Brasil. No ano passado, enquanto boa parte da indústria patinou, o faturamento dos produtores de cosméticos avançou quase 8% e inovação é um dos fatores responsáveis por isso. De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), João Carlos Basílio, o setor investe, em média, 2% de suas receitas em pesquisa e desenvolvimento.
Os cosméticos fazem parte de um grupo de segmentos que têm conseguido crescer bastante mesmo no cenário atual, enquanto outras áreas estão estagnadas. Nele, estão incluídas as indústrias de alimentos e bebidas, fármacos e de equipamentos médicos, hospitalares e odontológicos. No último caso, por exemplo, as vendas no mercado interno aumentaram mais de 25% em 2010, ano em que o PIB do País deu um salto de 7,5%.
Segundo o pesquisador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que periodicamente levanta indicadores industriais, André Macedo, esses são setores que dependem muito mais do comportamento do mercado interno do que do cenário internacional, ou seja, não sofrem tanto com a crise europeia e não têm tanta necessidade de financiamento como ramos mais pesados da indústria. “É um comportamento justificado pelo aumento da massa salarial”, disse.
De fato, o vice-presidente do Sindicato da Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos, Médicos e Hospitalares do Estado de São Paulo (Sinaemo), Paulo Henrique Fraccaro, disse, assim como Basílio, que a ascensão social dos brasileiros está na raiz do crescimento dessas indústrias. “Temos um processo de inclusão social e, com isso, há mais demanda na área da saúde, especialmente no SUS”, declarou Fraccaro. “Além disso, cada vez mais os funcionários [de companhias] reivindicam tratamento especial e as empresa buscam fazer planos de saúde”, acrescentou.
Ou seja, com renda maior, as pessoas comem alimentos de melhor qualidade, cuidam mais da beleza e da higiene pessoal e buscam mais tratamentos de saúde. Além disso, o tamanho do território e da população do Brasil exigem uma escala enorme de produtos e uma extensa rede de distribuição, coisa difícil de ser batida pelos concorrentes estrangeiros.
A competição existe e em alguns casos, como o de equipamentos médicos, é brava, de acordo com Fraccaro, mas em outros, como o dos cosméticos, não chega a preocupar. “Somos muito competitivos”, disse Basílio. Para ele, o produto importado só consegue atrapalhar nesse mercado se entrar no País subfaturado.
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