São Paulo – Depois de 39 anos de carreira, o diplomata argelino Abdelhamid Rahmani resolveu criar raízes na cidade onde serviu em seu último posto e abriu em Brasília a Louzia Doceria Fina, especializada em quitutes de seu país natal.
Ao completar cinco anos como ministro conselheiro da embaixada da Argélia em Brasília, Rahmani retornou à nação árabe para requerer sua aposentadoria, mas em seguida voltou à capital brasileira para concluir sua tese de doutorado pela Universidade de Toulouse, na França, sobre a contribuição da política externa do Brasil na consolidação do processo de integração da América do Sul de 1991 até hoje.
“Vários amigos brasileiros que tiveram a chance de experimentar a culinária argelina durante meu tempo como diplomata me incentivaram a abrir em Brasília, na falta de um restaurante argelino, uma doceria argelina, para oferecer aos gourmets e outros residentes da capital a oportunidade de provar estas maravilhas que só os argelinos sabem fazer”, disse Rahmani.
Como forma de complementar a renda da aposentadoria, o ex-diplomata pegou suas economias e foi em frente: abriu a loja em janeiro deste ano. Os primeiros meses foram difíceis, em função do período de férias de verão, carnaval e recesso na vida política de Brasília, mas a partir de março as coisas começaram a engrenar.
Rahmani criou perfis da doceria em redes sociais e no site Tripadvisor, e em pouco tempo a avaliação de seu negócio pelos usuários subiu para as primeiras posições entre os locais para comer em Brasília. “Por curiosidade, muita gente veio”, afirmou.
Embora doces árabes sejam conhecidos, as guloseimas que produz e vende são tipicamente argelinas e diferentes das que o público está acostumado. “Não há doces como estes a não ser na Argélia”, destacou.
São quitutes à base de amêndoas, pistaches, nozes, baunilha, mel e água de flor de laranjeira, tradicionalmente consumidos em ocasiões festivas, como casamentos, aniversários e durante o Ramadã, mês do calendário muçulmano em que os fiéis ficam em jejum do nascer ao por do sol, mas costumam se reunir para confraternizações à noite. “São ingredientes nobres, caros, mas cobramos um preço pequeno [pelos doces]”, ressaltou o diplomata transformado em empresário.
As receitas são da mulher de Rahmani, formada em culinária, que desde 1986 faz doces para familiares e amigos. É por isso que no logotipo da loja está escrito “desde 1986”, mas como negócio o empreendimento só existe mesmo desde o começo deste ano.
Embora sua mulher seja a responsável pelas guloseimas, a doceria não foi batizada de Louzia por sua causa, pois seu nome é Nassima. “É uma pergunta que todo mundo me faz”, observou Rahmani. Ele explica o porquê do nome: “Louz” é a transliteração para o francês da palavra árabe que significa “amêndoa” e, na Argélia, “louzia” designa doces feitos com amêndoas.
Além do ineditismo das receitas e do uso de ingredientes nobres, Rahmani destaca outra característica dos doces: o baixo uso de açúcar. Segundo ele, para cada quilo de amêndoas, pistaches ou nozes, vão apenas 300 gramas de açúcar. “E você pode guardar em casa à temperatura ambiente ou na geladeira por até duas semanas, talvez mais, sem que os doces percam o sabor e a qualidade”, garantiu.
Além dos doces, a Louzia serve salgadinhos e aceita encomendas de pratos argelinos, principalmente a base de cuscuz, o cozido de semolina tão apreciado nos países do Magreb.
O ex-diplomata acredita no crescimento. “Temos esperanças, pois os clientes estão contentes”, ressaltou. Tanto que ele já faz planos mais ambiciosos. “Eu pretendo trazer dois ou três chefs diplomados da Argélia para que eles me ajudem a atender os pedidos, que são cada vez mais numerosos”, concluiu.
Serviço
Louzia Doceria Fina
Endereço: SHIS, QI 13, Bloco A, loja 45, Lago Sul, Brasília-DF, CEP: 71635-160
Tel.: (61) 3710-1953
Tripadvisor: http://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g303322-d7742830-Reviews-Louzia-Brasilia_Federal_District.html#REVIEWS
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