São Paulo – O Marrocos, país árabe da África, e o Sergipe, estado do Nordeste brasileiro, deverão ter intercâmbio na área de cultivo de palmas. A informação é do agrônomo Paulo Suassuna, que atua como consultor do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e esteve no ano passado no Marrocos apresentando o projeto “Palma para Sergipe” pela instituição. De acordo com Suassuna, os marroquinos já consomem a palma como fruto, mas ficaram interessadas no uso dela como forrageira, como faz o Brasil.
O agrônomo afirma que um técnico do país árabe deverá vir ao Brasil para conhecer a experiência brasileira na área. Ainda não há data prevista, porém. Os investimentos em palmas no Marrocos fazem parte, segundo Suassuna, do “Plano Verde Marroquino”, que tem como meta plantar 25 mil hectares da cultura a cada cinco anos.
O consultor do Sebrae apresentou o projeto sergipano no 7º Congresso Internacional de Cactos e Cochonilha, que ocorreu em Agadir e Marrakech, em outubro do ano passado. O encontro ocorre desde 1991 e tem na organização o International Centre for Agricultural Research in the Dry Areas (Icarda) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). “A ideia agora é fazer um intercâmbio técnico”, afirmou Suassuna. O projeto de cultivo de palmas no Marrocos é levado adiante pelo governo local.
No Sergipe quem lidera as ações é o Sebrae, instituição pela qual Suassuna começou a trabalhar em 2008. De acordo com o agrônomo, já foram formados 22 núcleos, cada qual integrado por dez microprodutores. Eles aprendem a fazer o cultivo adequado da palma para transformá-la em ração de ruminantes. O agrônomo explica que resolveu se especializar em palma após terminar a universidade e ver a alimentação de animais, no Nordeste, sempre dependente do milho. “A ideia era desenvolver ração vinda da Caatinga”, afirma.
Foi então que ele, juntamente com o primo zootecnista e nutricionista, Alberto Suassuna, começou a fazer uma série de experimentos com os produtos da Caatinga. “Quando chegamos na palma, descobrimos que ela era tão fonte de energia quanto o milho”, afirma. O problema para o uso da palma era que ela precisava de quatro a cinco anos até ser colhida e rendia 200 toneladas por hectare. O agrônomo viajou então para o México, lá coletou experiências na área, e passou a testar com produtores um sistema diferente de cultivo.
A nova proposta envolve desde preparo do solo, adubação, até a escolha das palmas corretas para plantio, a sua posição em relação ao sol, o uso de técnicas de extirpação de ervas daninhas e de colheita. “A produtividade é de dez a doze vezes maior e corte anual”, explica. De forma independente, Suassuna ficou trabalhando com parceria de produtores por vários anos, nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas, até ser convidado para desenvolver o projeto no estado do Sergipe pelo Sebrae.
No programa “Palma para Sergipe” os produtores que integram os grupos trabalham em um campo experimental e também desenvolvem o cultivo em suas lavouras. “Temos três exigências: querer aprender, arcar com mão de obra [para o campo experimental] e fazer na sua propriedade”, explica Suassuna. Além das técnicas do cultivo de palma, também filhos e mulheres das famílias recebem treinamento para uso da palma na culinária e na formulação de cosméticos.
Suassuna ainda ensina, em escolas municipais, alunos de sete a 14 anos a cultivarem a palma. Esses pequenos, então, repassam os seus conhecimentos aos adultos em encontros organizados. “As crianças ficam lá na frente com uma palminha na mão e os adultos ficam sentados assistindo”, conta o agrônomo, comovido. “Se passar um vendedor de geladinho (picolé) de palma por essas crianças no futuro para elas vai ser natural”, conclui, deixando claro a sua intenção de disseminar o aproveitamento da palma no Nordeste.

